Um Sonho Milanês

 Desde o início do século passado o nome Alfa Romeo tem um sabor especial para os italianos. Seja nas competições ou nas ruas, seja um sedã ou um esportivo são sempre admirados. O primeiro puramente esportivo feito para as ruas, para a venda ao público foi o Alfa Romeo 6C 1750 GS de 1930. Era um cupê de capô longo, conversível que não admitia capota e apenas dois lugares.

Nove anos depois, já perto da Segunda Guerra Mundial chegava o 6C 2500 SS. Seguia a mesma tendência do anterior, mas tinha linhas aerodinâmicas mais apuradas e bem modernas para sua época. Tinha um motor de seis cilindros em linha, 2,5 litros e caixa manual de quatro velocidades. Nos anos 50 foi a vez de outro cupê com linhas revolucionárias ganhar mais admiradores. Era o Giulia 1600 SS que esbanjava também muito aerodinâmica em suas linhas.

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Entrava mais uma década e a empresa automobilística de Milão faria bater mais forte o coração de seus admiradores. Era apresentado na cidade de Montreal, no Canadá, em 1967, na exposição universal, um belo esportivo desenhado por Marcello Gandini que na época trabalhava na famosa casa Bertone. Tratava-se de um modelo distinto, um exercício de estilo, que enfeitava muito bem o estande da Alfa. Batizado como Montreal, tinha mecânica de quatro cilindros em linha e 1,6 litros de cilindrada. Era o futuro motor do irmão menor Giulia. Dos dois protótipos fabricados, um está atualmente no Museu de Arese, na Itália.

Mas, para a felicidade de muitos, com pouquíssimas alterações em relação ao protótipo original, foi lançado, no Salão de Genebra, na Suíça, o Alfa Romeo Montreal. Com linhas muito aerodinâmicas, este cupê esportivo 2 +2 era o modelo mais sofisticado da linha em 1970. Media 4,22 metros de comprimento, entre - eixos de 2,35, largura de 1,67 e apenas 1,20 de altura. Seus 1.365 quilos eram distribuídos em 55,7 % na frente e 44,3 % atrás.

Sua bela carroceria, em aço estampado e estrutura monobloco, tinha frente pouco comum. Seus quatro faróis circulares eram cobertos por uma pequena persiana na parte superior. Estas podiam ser recolhidas a partir de um comando no painel. Na parte central, o coração com contornos cromados, que representava a marca, fazia um belo conjunto com o fundo preto da grade recuada. E seus pára-choques eram mínimos. Sobre o capô, que se abria para frente, havia uma discreta entrada de ar em forma de triângulo. Visto de perfil era agressivo e discreto ao mesmo tempo. Havia seis entradas de ar logo atrás do vidro lateral na coluna B, suas maçanetas eram embutidas e havia um discreto friso cromado lateral. Atrás seu amplo vidro se abria dando acesso ao tímido porta-malas. Tinha 90 centímetros de comprimento e 22 de altura. Era aberto por uma pequena alavanca interna situada na coluna das portas. As lanternas traseiras eram quase retangulares e reunia cores âmbar para as setas, vermelha para freios e brancas para luzes de ré. E o duplo cano de descarga completava o belo conjunto. Não havia um ângulo ruim. O carro era muito bonito sem ser pretensioso.

Após os 100 primeiros modelos produzidos, ganhava um spoiler dianteiro que lhe caiu muito bem. Como a maioria dos esportivos, sua visibilidade lateral e traseira eram criticadas. Um dos poucos defeitos do esportivo.

Seu motor era um oito cilindros em “V” com bancadas separadas em 90º, tinha 2.593 cm³ (84 x 64 mm) de deslocamento volumétrico, virabrequim com cinco mancais e era alimentado por uma injeção eletrônica indireta da marca SPICA (Società Pompe Iniezione Cassani & Affini). Esta alimentação era especifica para os Alfas destinados ao mercado norte-americano. Era todo fundido em liga leve, tinha quatro comandos de válvulas no cabeçote e câmaras hemisféricas.

Era dianteiro, longitudinal e arrefecido a água. O projeto era herdado de um famoso carro de competição, o Alfa Romeo P33/2 (abaixo) que também fez sucesso em corridas aqui no Brasil.

Sua taxa de compressão era de 9,0:1, tinha potência de 230 cavalos a 6.500 rpm e seu toque máximo era de 27,5 mkgf a 4.750 rpm. Seu câmbio mecânico, da marca ZF, era idêntico ao do Maserati Biturbo e a embreagem ao do Alfa 6. Tinha cinco marchas, usava diferencial autobloqueante e sua tração era traseira. A primeira marcha ia até 70 km/h, a segunda até 115 e a terceira chegava perto dos 160 km/h. Bem escalonado e estudado. E seu desempenho era muito bom. Fazia de 0 a 100 km/h em 7,1 segundos, os primeiros 400 metros em 15,1 segundos e sua velocidade final era de 224 km/h. O som do motor era muito vibrante. Como todos os carros da marca.

Sua suspensão dianteira era independente, com braços triangulares, molas helicoidais e barras estabilizadoras. Atrás tinha eixo rígido, molas helicoidais e braços longitudinais. Tanto na frente quanto atrás tinha amortecedores telescópicos. Seus quatro freios eram a disco sendo que os dianteiros eram ventilados. Usava pneus na medida 195/70 VR 14 em belas rodas Campagnolo. No limite havia certa inclinação da carroceria em curvas muito fechadas. Mas era um carro estável, confortável, prazeroso ao dirigir e muito seguro.

Por dentro era muito luxuoso e aconchegante. Seus bancos com desenho esportivo e encosto de cabeça, podiam receber tecido comum ou em couro. Os passageiros da frente iam bem acomodados. Já os de trás, só em caso de emergência. O painel era completo. Havia dois mostradores circulares. No da esquerda agrupava velocímetro graduado até 260 km/h, nível do tanque de gasolina, relógio analógico, amperímetro e três luzes de advertência. No que ficava a direita, tinha conta-giros graduado até 9.000 rpm, manômetro de óleo, termômetro de água, termômetro de óleo e três luzes espia. Era original e bonito ao mesmo tempo. No centro havia um radio toca-fitas e nas laterais generosos porta-luvas.

O volante com aro de madeira, tinha três raios metálicos. Como a maioria dos Alfas, tinha ótima posição de dirigir e comandos bem posicionados. Seus únicos opcionais eram o ar condicionado e vidros elétricos. Seus concorrentes em 1974 eram o Citroën SM, o BMW 3.0 CSL o Mercedes-Benz 350 SLC, o Porsche 911, o Ferrari Dino 246 GT, o Fiat 130 cupê, o Jaguar XJ6 cupê e seu irmão E-Type. Todos da mesma estirpe. Luxuosos, velozes e caros.

O Alfa Romeo Montreal foi um dos poucos carros conceitos, como o Lamborghini Countach a entrarem em produção em série. Era um objeto de desejo de muitos. Tinha uma técnica apurada, um desenho muito original e um bom acabamento. Foram produzidos 3.925 exemplares até 1977. E tem poucos na América do Sul! Sua cotação em Euros na Europa está por volta de 80.000.

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Em escala

Na escala 1/32 vendidas em bancas de jornais o modelo é um Ixo, muito bem acabado, vem com base e caixa acrílica.

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Texto, fotos e montagem:  Francis Castaings. Demais fotos Salon Rétromobile (P33) e Fotorissima (Peter Auto)    

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