Parceria à italiana

Em 1955 nascia em Milão, Itália, uma parceria interessante. A fábrica fundada por Edoardo Bianchi se associou ao fabricante de pneus mundialmente famoso, a Pirelli e ao grupo Fiat. Estava criada a Autobianchi. E começou a produzir carros compactos baseados nos Fiat.

 A capacidade instalada da fábrica era muito boa. No começo da década de 60 produzia Bianchina,um carro popular muito interessante, nas versões de duas portas, havia também um simpático conversível e uma perua de dimensões modestas. O motor, de dimensões muito reduzidas, ficava na traseira, tinha dois cilindros em linha e potência de 15 cavalos. Também havia o modelo esportivo Stellina.

Em 1964 apresentava um modelo novo muito interessante no Salão de Torino para ampliar a sua gama. Há exceção do motor Fiat, basicamente o mesmo do modelo 1100 D, era um conceito totalmente novo, próprio da fábrica. O nome do novo carro era Prímula que havia sido projetado por Dante Giacosa, um engenheiro muito competente do grupo FIAT. Este senhor também foi o “pai” do Fiat Topolino e também do Fiat Múltipla 600. Tinha o talento comparável a Alec Issigonis, criador do Mini. E sua mais nova criação era muito próxima do Austin/Morris 1100. O nome do carro foi inspirado numa planta ornamental.

O pequeno carro era fabricado nas versões de duas e quatro portas. Media 3,78 metros e pesava 840 quilos. O hatch tinha três vidros laterais na versão de quatro portas e dois na versão de duas. Para estacionar era fácil, pois a área envidraçada era muito boa. Tinha faróis circulares e abaixo destes vinha as luzes direcionais. A grade em formato trapezoidal tinha frisos horizontais.

O motor da versão cupê era um quatro cilindros, refrigerado a água, em posição transversal sendo   que a caixa de marchas e a embreagem estavam no mesmo eixo. Era o conceito tudo na frente. E este inspiraria a FIAT no futuro. Ganhava em rapidez de produção, custos menores e no que se refere a manutenção, havia menos desgastes de peças, economia de espaço e redução de peso.

A capacidade cúbica era de 1.221 cm³ e a potência era de 59 cavalos a 5.400 rpm. A taxa de compressão era de 8,6:1 e o torque máximo era de 9 mkg a 2.800 rpm. Seu comando de válvulas era lateral e era alimentado por um carburador da marca Holley Europea em posição invertida. Sua tração era dianteira, que também servia de testes para a FIAT,  e o cambio tinha quatro marchas sincronizadas. A alavanca ficava na coluna de direção. Era um carro laboratório para a grande montadora parceira. E para Pirelli também.

A suspensão dianteira tinha rodas independentes e amortecedores hidráulicos. Atrás tinha eixo rígido, amortecedores hidráulicos e molas semi elípticas. Usava pneus na medida 145 x 13. Os freios dianteiros a disco eram da marca Bendix. Os de trás eram a tambor. Paravam bem o carro. A freada pânica a 100 km/h percorria 60 metros até a imobilidade.

A velocidade máxima do pequeno automóvel era de 135 km/h e fazia de 0 a 100 km/h em 19 segundos.  Por dentro tinha bancos dianteiros separados e traseiros inteiriços. Carregava cinco passageiros com relativo conforto.  O painel era simples e sóbrio. O velocímetro em formato retangular trazia várias luzes espia a além do porta luvas havia, abaixo deste, um bom porta volumes.

A versão de quatro portas, mais equilibrada no conjunto, era um pouco mais potente, tinha 62 cavalos, podia usar pneus 155 x 13, pesava 865 quilos e mais veloz, fazia 140 km/h.

No Salão de Torino de 1965 era apresentada mais uma versão. Tratava-se do Prímula cupê S. Sua carroceria era bem resolvida e tinha um ligeiro fastback. E lhe caiu muito bem. Deu um toque esportivo. Era obra da casa, mas recebeu a colaboração da empresa Carroceria Touring no desenho final. Visto de lado, só a frente era comum as três versões. Mas na grade dianteira havia um friso horizontal com o escudo da casa. Tinha o mesmo tamanho dos irmãos, mas pesava 835 quilos.

De mesma cilindrada, porém com potência de 65 cavalos, a nova versão tinha um carburador de corpo duplo da marca Solex. O motor estava mais elástico, com respostas melhores e ótimas retomadas. O acesso para manutenção também era muito bom. Fazia de 0 a 100 km/h em 14 segundos e sua velocidade máxima era de 145 km/h. O consumo continuava muito bom. Fazia, a velocidade de 80 km/l, 12,5 quilômetros por litro. A capacidade do tanque de gasolina era de 40 litros.

Por dentro iam com conforto quatro pessoas. O volante de três raios tinha aro de madeira. No painel havia o conta-giros, velocímetro, marcador de temperatura e nível do tanque. Contava com várias luzes espia.

Usava também pneus na medida 145 x 13,mas as rodas podiam ser simples com calotas ou raiadas que davam um toque mais agressivo. A estabilidade era muito boa. Agradou muito a imprensa e ao público italiano. E visava agradar a compradores europeus, principalmente os franceses que eram admiradores da tração dianteira. 

Em 1967 seus concorrentes eram o BMW 700 LS cupê, o Fiat 850 cupê, o Ford Cortina GT, o NSU Sport Prinz, o Opel Kadett cupê S, o Peugeot 204 cupê, o Renault Caravelle, o Simca 1000 cupê  e o Saab 99 Sedã. Neste ano também a empresa foi totalmente incorporada pela Fiat.

Em 1969 recebia o motor do Fiat 124 que era outra  criação de Dante Giacosa.  Mais moderno, e também em posição transversal, tinha 1.197 cm³ e 65 cavalos. O coletor tinha novo desenho e também ganhava nova carburação. A caixa de marchas adotava sincronização Porsche e a alavanca ia para o assoalho. E todos os modelos da linha passavam a usar pneus 155 SR 13. Por fora eram mínimas as modificações. A grade passava a ter frisos horizontais e verticais e o escudo, redondo com um triangulo seccionado, estava no centro, mas um pouco mais acima da linha mediana.

As setas laterais, antes redondas, passavam a ser retangulares. Também tinha novo friso cromado cortando toda a carroceria pouco abaixo das maçanetas. No cupê a traseira estava com linhas mais arredondadas. E o motor estava mais quente. Tinha cilindrada de 1.438 cm³ e desenvolvia  a potência de 75 cavalos. O comando de válvulas era no cabeçote tecnologia na época. Os quatro freios passavam a ser a disco. A velocidade máxima passava a ser de 155 km/h. Estava bem mais atraente.

Foram produzidos 74.800 exemplares do Primula até 1970. Foi um marco na história da pequena, mas genial Autobianchi. Em meados da década de 90, a marca deixou de existir

Texto e montagem Francis Castaings. Fotos de divulgação                                         

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