Sedã arrojado Brasileiro com Coração Inglês

A história do Emme 422T começou em 1996, e foi lançado em outubro de 1997 no Brasil Motor Show em São Paulo, capital. Era um sedã com linhas diferentes, arrojadas, mas que não passavam de um cópia de um Volvo apresentado como como conceito ECC, lançado em 1992 e que tornaria-se o Volvo S80 em 1998. Foi avaliado por revistas nacionais. Era fabricado fabricado pela Megastar Veículos. A empresa tinha se instalado em Pindamonhangaba, no interior de São Paulo, em um terreno cedido pela prefeitura, que aprovou uma série de benefícios para que a empresa inaugurasse sua linha de produção na cidade. Em vão!

Usava peças de carros nacionais, mas seu motor era um Lotus. Este fato já era forte para atrair muitos compradores. O mais interessante que não havia na linha da Lotus, e jamais houve, um carro de quatro portas.  A promessa era de um sedã grande, que utilizava propulsor com 2,2 litros, 16 válvulas e Turbo capaz de debitar 264 cavalos e levar o esportivo 273 km/h! Seria disparado um dos sedãs mais rápidos do Brasil e podia enfrentar vários modelos importados. Mas era apenas a velocidade divulgada pela empresa que tinha atividades bastantes irregulares. Segundo relatos, tratava-se de motores usados comprados na Inglaterra da famosa empresa. Ainda, houve informação que técnicos da impressa vieram ao Brasil para regular motores. Havia a suspeita que se tratava de motores usados e com defeitos adquiridos na Inglaterra. E a empresa Megastar não tinha o direito de usar o nome nem a Lotus autorizou a colocação de seu logo no bloco do motor.

Sua carroceria era fabricada com um material plástico injetado chamado veXtrim, processo patenteado pela empresa New Concept Aktiengesellshaft na Suíça. A Lotus é de origem Inglesa. Infelizmente poucas unidades chegaram às ruas.

O painel era bem equipado no que se refere a instrumentações, mas muito confuso principalmente no console. Apesar da  boa instrumentação no painel que era mal acabado. O console uma quantidade enorme de botões para diversos fins que chegavam a confundir muito o motorista.

Havia motores 2.0 disponíveis, nas versões básicas, mas não passavam de motores 2.000 da Volkswagen, pois tinham mesmo diâmetro e curso pistões dos motores VW AP.  Os modelos Emme 420 e Emme 420T tinha motor AP (Alta Performance) , com quatro cilindros em linha, 16 válvulas aspirado ou turbo e equipariam os modelos básicos. Não há relatos que foram produzidos esportivos com estes motores nacionais.

A mistura de componentes era grande. O 422T tinha 300 quilos a mais que um Lotus Esprit. Seu câmbio Tremec T5 de origem americana era o do Ford Mustang e do Ford Maverick. Ainda, tinha diferencial traseiro autoblocante da Jaguar. Sua dirigibilidade em baixas rotações, segundos testes, era fraca, exigindo muito o acionamento a fundo do acelerador para que o turbo começasse e mostrar fôlego.

Seu motor dianteiro, em posição longitudinal, tinha quatro cilindros em linha, 2174 cm³, 16 válvulas, duplo comando de válvulas no cabeçote, injeção eletrônica e turbo compressor. A potência declarada era de 264 cavalos 6 500 rpm com torque de 36,1 mkgf a 3.900 rpm. Ainda segundo relatos da empresa fabricante. Seu câmbio era manual de cinco marchas e tinha tração traseira. Suas medidas eram 4,62 de comprimento, largura de 1,80, altura, 1,40 e entre-eixos de 2,76 metros seus peso era de 1.591 quilos. Era um sedã pesado! Tinha freios dianteiros a disco ventilados e discos simples atrás. Calçava pneus na medida 225/50 R15 radiais.

Segundo informações, foram produzidas apenas 15 unidades do modelo, antes que a Megastar encerrasse suas operações no Brasil. Infelizmente uma tentativa frustrada com má administração, muito arrojo e algumas inverdades. Foi fruto de uma aventura industrial: a Megastar seria uma subsidiária de um grupo com sede no pequeno país de Liechtenstein, incrustado na Suíça, Europa. A empresa encerrou suas atividades em 1999. Falência!

Abaixo ao fundo um modelo branco na exposição de Vinhedo em 2019

Há anos a indústria nacional já tinha competência para se fazer automóveis muito bons. Não precisava de motores estrangeiros e tinham capacidade de fazer carroceiras originais.

Texto, fotos e montagem Francis Castaings . Fotos da exposição de Vinhedo foram cedidas gentilemente por Júnior Pimentel de Barbacena, Minas Gerais.

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