A extravagância Britânica

A poderosa americana Ford  fundou sua filial na Inglaterra, em Dagenham, em 1931 para a montagem do famoso modelo T. O objetivo era distribuí-lo na Europa. Também neste mesmo ano era fundada, em Colônia, na Alemanha, outra filial da Ford. Passado alguns anos, ambas começaram a fabricar automóveis mais adequados ao mercado europeu, de porte pequeno. Na década de 50, a Ford Inglesa produzia uma linha de automóveis bem completa. Eram o Anglia, o Prefect, o Escort e as pequenas Vans Thames.

Não demorou muito e o modelo Anglia passou a se chamar Popular. Este usava um motor pouco potente que já estava em produção há mais ou menos 30 anos. Havia as versões cupê, quatro portas, picape, Tourer (conversível)  e furgão. A primeira geração foi fabricada na Inglaterra entre 1939 à 1948. Era o tipo E04A com motor de quatro cilindros em linha, 933 cm³ . Foi sucedido pelo A54A e depois pelo Anglia E494A fabricado entre 1949 e 1953 (foto principal e acima) . Este fez sucesso e seu país e também nos Estados Unidos onde eram colocados motores mais bem mais potentes, como V8 de blocos pequenos. Ótimos para arrancadas!

Em 1953 chegava o modelo 100 E. Havia apena a versão cupê com um desenho muito simples. Tinha motor dianteiro de quatro cilindros em linha, 1.172 cm³, acelerava de 0 a 100 km/h em 30 segundos e velocidade final de 115 km/h.  Um verdadeiro carro urbano!

No final da década, em 1959, era  lançado o novo Ford Anglia, modelo 105 E. Seu estilo, ganhava 10 no quesito originalidade. Não tinha absolutamente nada parecido. O carrinho de 3,9 metros de comprimento tinha 2 portas e era adequado para transportar quatro pessoas ou um casal com filhos pequenos. Fez grande sucesso!

Visto de lado, o que mais estranhava, era a coluna C com ângulo invertido. Fazia um ângulo obtuso com a linha do porta-malas que tinha um discreto rabo de peixe. O vidro traseiro, acompanhava a inclinação. Este mesmo exotismo era visto do outro lado do Atlântico, no Lincoln Continental Mk V. Sua grade dianteira, abaixo dos faróis redondos,tinha nas extremidades as luzes de pisca. Mais parecia a arcada de um peixe pronto para atacar. Ou um largo sorriso...

Seu motor dianteiro longitudinal, de quatro cilindros em linha, refrigerado a água, tinha 997 cm³ e potência de 37,5 cavalos a 4.800 rpm. As válvulas eram no cabeçote e o comando lateral. Era alimentado por um carburador Solex em posição invertida e sua velocidade máxima era de 120 km/h. A aceleração de 0 a 100 km/h era feita em 28 segundos. Era basicamente o motor do modelo Anglia E494A

Em tempos difíceis dos pós-guerra, agradou, pois este modelo que substituía o Prefect, de estilo bem mais convencional, fazia até 17 km/l. E o tanque de combustível tinha capacidade para 32 litros. A caixa de marchas tinha 4 velocidades sendo que a primeira não era sincronizada. A alavanca era no assoalho e inclinada para trás como nos Alfas.

Por dentro, o velocímetro, graduado até 140 km/h, tinha várias luzes espia. Com contornos cromados em formato de trapézio invertido, fazia par com o porta luvas aberto no desenho. O volante de dois raios tinha diâmetro correto. Os bancos dianteiros eram separados e os de trás eram aconchegantes.  

A suspensão dianteira, com rodas independentes, tinha amortecedores telescópicos, molas helicoidais e barra estabilizadora. Atrás tinha eixo rígido. Os pneus na medida 5.20 x 13 vestiam rodas com calotas de formato cônico. Os freios todos a tambor. Era uma carro estável sem maiores pretensões.

Em 1961, dois anos após o lançamento, uma grande proeza: No famoso circuito de Goodwood, sul da Inglaterra, que hoje é palco de corridas históricas belíssimas, três exemplares do Anglia percorreram 10.000 milhas a uma média de 95 km/h em sete dias. Foram pilotados por Graham Hill, Bruce McLaren e Roy Salvadori

Um ano depois chega a versão perua chamada de Anglia State Car. Continuava com duas portas e era só dois centímetros maior que o modelo duas portas sedã.

Havia também uma versão mais simples com chapas ao invés de vidros traseiros. O acabamento era muito rústico. Bom para trabalhos de entregas

Como era modismo na época, a carroceria poderia receber dois tons que até ajudavam a harmonizar um pouco. E os pneus, faixas brancas.  Seus concorrentes eram o Citroën Ami 6, que rivalizava muito em estranheza, o NSU Prinz 1100, o Renault 8 (Saiba mais) , o Simca 1000 (conheça) , o Fiat 1100, o Austin 1100, o Opel Kadett duas portas e o VW 1200 A, nosso conhecido Fusca

Na Ford Itália era produzido o Anglia Torino (acima) que também tinha linhas bem mais ortodoxas. Foi desenhado por Michelotti e era construído pela (OSI) Officina Stampaggi Industriali. E recebeu o prêmio La Ruota D’Oro por ser o mais veloz e ágil na categoria de 1.000 cm³. Foi fabricado entre 1964 e 1965.

Como era muito comum na Inglaterra dos anos 60, preparadores independentes começaram a trabalhar no pequeno motor do Anglia para lhe dar mais animo. Casos como preparadores Novamotor e Holbay chegaram a tirar perto de 100 cavalos do propulsor e equipar alguns Fórmula 3 ingleses.

De olho nisso, em 1963, a fábrica lançava o Anglia Super com motor de 1198 cm³ e 50 cavalos de potência a 5.000 rpm. O torque máximo passava a ser de 9,2 mkg a 2.700 rpm. A caixa era totalmente sincronizada e os freios estavam mais eficientes. A velocidade final passa a ser de 135 km/h.  

Três anos depois, em 1966, já tinham sido fabricados 1.000.000 de exemplares do Anglia sendo que 90 % correspondia a versão duas portas. 

Em 1967 foi lançada a versão Sportsman. Mais luxuosa, trazia o pneu sobressalente preso ao capô traseiro como o Lincoln Continental e o Simca Chambord Presidence fabricado no Brasil.Também meio teto pintado numa cor diferente e a mesma também uma linha saindo do rabo de peixe até o vínculo do farol. Por dentro um acabamento mais caprichado baseado nas cores externas.

Foram 28 anos de produção. Em 1968 era lançado o novo Ford Escort e o Anglia foi descontinuado. Leia sobre a história do Escort brasileiro

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Nas Pistas

É presença constante nas provas de VHC (Carros Históricos de competição) . Muito valente era equipado com motor Lotus Ford . Participou principalmente no Rali Histórico de Monte Carlo. Um ícone britânico no mundo do automóvel. Inimitável !

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 Nas Ruas e Encontros

 Hot Ford Anglia modelo E494A de 1950. Pode estar com um motor moderno de quatro cilindros ou um potente V8!

 

Em Águas de Lindóia

Outro

Nas ruas de Belo Horizonte

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Nas telas

Fez uma bela participação no filme Harry Potter de 2002. O modelo ficou internacionalmente conhecido nas grandes telas. Foi utilizado no segundo filme da saga Harry Potter e a Câmara dos Segredos, para levar Ron Weasley e Harry (vivido pelo ator Daniel Jacob Radcliffe) até Hogwarts. Harry Potter é uma série literária de sete romances de ficção escrita pela autora britânica J. K. Rowling. A série narra as aventuras de um jovem chamado Harry James Potter, que descobre, aos 11 anos de idade, ser um bruxo e por este motivo é convidado para estudar na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts.

O modelo do filme é um Ford Anglia 105E de 1962, cor azul com teto branco. Foram utilizados dezesseis modelos nas filmagens, alguns adaptados para diversas cenas. Uns com motores mais potentes, outros sem motor, outros cortados ao meio e vários completamente destruídos! 

Durante a produção, John Richardson, responsável pelos efeitos especiais do filme, retirou o motor e mais algumas peças para deixá-lo mais leve para voar e fazer outras estripulias. As peripécias que o Anglia participa são muitas! Um filme divertido! Veja um trecho

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Em Escala

Abaixo um Anglia na escala 1/32 da empresa Saico

Escala 1/64

A Van amarela da Hotwheels e o sedã cinza . Corretos!  

Texto, fotos e montagem Francis Castaings  - Fotos de divulgação                           

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