A Potência Mascarada

O Grupo Ford americano fundou sua filial na Inglaterra, em Dagenham, em 1931 para a montagem do famoso modelo T. O objetivo era distribuí-lo na Europa. Tempos depois começou a construir automóveis mais adequados ao mercado inglês e europeu.

No principio da década de 60, a Ford Inglesa produzia uma linha de automóveis comportados e austeros. O Anglia (saiba Mais ), o Cortina, o Corsair, o Zephyr e por último o Zodiac. O mais veloz destes chegava a 166 km/h e não entusiasmava muito britânicos desejosos de modelos mais apimentados.

O pequeno e pacato Anglia já dava sinais de velhice, e seu substituo natural, o Cortina, foi apresentado em 1962. Era um sedã de três volumes, cinco lugares que media 4,27 metros de comprimento e pesava 790 quilos. Era oferecido em versões de duas, quatro portas, com versão luxo Cônsul e perua. Esta recebia a denominação de Estate Car.

Na frente tinha dois faróis circulares e grade em formato de trapézio dividida por frisos cromados. Na traseira o destaque ficava por conta de pequenos rabos de peixe herdados da década de 50. Os faroletes de bom tamanho eram redondos. Cromados na grade dianteira, nas laterais e traseira não faltavam. Nesta época, estes adereços, eram quase obrigatórios. Não era um carro bonito, mas também não feria os olhos. As linhas eram adequadas para a época.

O motor básico, posicionado na frente tinha quatro cilindros em linha, com posicionamento longitudinal. A cilindrada era de 1.198 cm³ e potência de 54 cavalos.

Chegava a velocidade máxima de 130 Km/h. Além desta versão, tinha mais outras duas, uma inclusive chamada GT, mas  que também não chegavam a tirar suspiros da maioria. 

Mas a opção mais interessante e famosa nasceu em 1963 de um casamento bem sucedido e duradouro: O Cortina Lotus. Agradou aos habitantes da ilha e também aos do continente europeu.

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Por fora sua distinção dos outros se fazia pelo para-choques bipartido, uma faixa verde lateral que dava a volta por trás e ia para o outro lado fazendo o contorno da carroceria. Os cromados também foram banidos. A suspensão era rebaixada e por isso era 15 centímetros mais baixo que o irmão sisudo.

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Para identificar mais fácil a pequena fera inglesa, o logotipo redondo com um  triângulo inserido, com o fundo na famosa cor verde britânico, o emblema da Lotus,  estava presente na grade dianteira de cor preta, no centro do volante de três raios, nas laterais e na extremidade da tampa do porta-malas. Impunha respeito.

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Suas rodas eram mais largas, em aço estampado e tinha calotas cromadas. Enquanto a versão base usava pneus 5.20-13 a Lotus dispunha de 6.00-13.

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Seu comportamento era muito bom, neutro e por isso era um carro estável e agradável de dirigir em velocidades mais altas. O centro de gravidade era baixo. O Ford Lotus era oferecido somente na versão cupê. Por causa da decoração externa, o modelo Lotus era uma opção bastante atraente na época.

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O motor de quatro cilindros, idêntico ao do modelo esportivo Lotus Élan, tinha 1.588 cm³ e 115 cavalos a 5.500 rpm. O torque máximo era de 17,2 mkg e a taxa de compressão de 10:1. Tinha duplo comando de válvulas no cabeçote- twin-cam pintado de azul para se destacar e também carburadores duplos da marca Webber. Um belo trabalho da empresa de Colin Chapman. Usava freios a disco da famosa marca Girling na dianteira e tambores atrás. Sua velocidade final era de 186 km/h e fazia de 0 a 100 em 11 segundos. Ótimos números para um carro com carroceria familiar e com aerodinâmica pouco desenvolvida. Enfrentava com galhardia automóveis maiores e com motores mais fortes.

Por dentro o volante esportivo e a alavanca do cambio de quatro marchas tinham acabamento em madeira. O painel com fundo metálico escovado era muito bem equipado. Ao centro, o velocímetro e o conta-giros. Depois vinham o marcador de temperatura da água, óleo, manômetro, nível do tanque de gasolina e amperímetro.

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Seus rivais mais próximos eram o Alfa GTA (saiba mais)  e o Renault 8 Gordini (conheça) . Tanto no preço nas concessionárias quanto nas brigas sobre autódromos, circuitos e estradas sinuosas.

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Em 1965 era oferecido também um kit 145 cavalos para jovens pilotos interessados em ingressar nos ralis. Este custava 75 % do valor de um Cortina em versão básica! Ganhou varias provas na Grã-Bretanha e na França faturou o famoso Rali dos Alpes. Nos autódromos ingleses havia as competições monomarcas, muito acirradas e no resto da Europa, as multi-marcas. Um de seus admiradores e usuário era o grande piloto escocês Jin Clark.

Em 1966 sofria uma mudança estética radical. As linhas estavam mais retas, mais modernas e também bonitas. A grade dianteira retangular tinha fundo preto e dois faróis redondos nas extremidades. Atrás os faroletes eram retangulares.

A versão Cortina Lotus deixou de existir. Agora recebia a denominação Cortina GT.  Ganhava um cambio novo com novas relações. O motor não sofreu grandes alterações. Ele ficou mais lento nas acelerações. Também estava mais pesado e menos estável. Não era rebaixado como o anterior.

Até hoje é um vencedor nas corridas destinadas a carros antigos. De longe, o primeiro modelo Ford Cortina Lotus é o mais afamado. Pelos puristas este é considerado o verdadeiro.

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Em italiano Cortina quer dizer disfarce, cobertura ou máscara. Mas o nome seja talvez dedicado a famosa Cortina D’Ampezzo nos Alpes italianos.

Em outubro de 1970 o Cortina tinha a mesma carroceria que seu irmão FordTaunus (Conheça) alemão. Perdeu o charme, a potencia e a exclusividade.

Texto, fotos e montagem Francis Castaings. Demais fotos de divulgação  e dos eventos Peter Auto do site                                                   

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