Um Americano Light

Na década de 50 e 60, os carros americanos cresciam em tamanho e potência. Praticamente só esportivos, fabricados neste país, tinham menos que 5 metros de comprimento. Os outros eram verdadeiras banheiras.  

No final de 1959 foi lançado, pela empresa sediada em Dearborn, o Ford Falcon.

Em 1957, na fase de projeto, os desenhos apresentados tinham descendências com o fatídico Edsel, na parte frontal e enormes rabos de peixe na traseira. O bom censo venceu e tal herança não chegou ao automóvel na época do lançamento. Ele era mais ao estilo equilibrado europeu do que americano.

O novo modelo oferecia uma gama completa de carrocerias: o sedã quatro portas, um cupê, um conversível, uma perua de duas ou quatro portas e a picape. Esta última batizada de Ranchero (abaixo) , fazia concorrência ao El Camino da arqui-rival GM. Antes era feita sobre a base do Fairlane, maior que o Falcon.

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Como a maioria dos carros fabricados na América do Norte, o primeiro “sedã compacto” dos tempos modernos da Ford Motor Co., tinha a disposição uma ampla gama de motores. O mais modesto era um seis cilindros em linha de 2.786 cm³  arrefecido a água. Sua potência era de 106 cavalos a 4.400 rpm. Pelo fato de pesar 1.200 quilos não era muito veloz. Atingia 145 km/h e chegava a 100 km/h em 16 segundos. Era apenas satisfatório para um veículo, destinado ao uso familiar, de 4,86 metros capaz de transportar seis pessoas a bordo.

A próxima opção com o mesmo número de cilindros, era pouco mais potente (122 cavalos) e sua velocidade máxima era só um pouco maior. Em ambos o consumo estava por volta dos 7,5 km/l. A capacidade do tanque era de 61 litros. 

A transmissão tinha a opção de caixa de três marchas, mecânica ou automática modelo Cruise-O-Matic. Em ambas, a alavanca ficava na coluna de direção. Sua tração, como quase todos os modelos do país, era traseira.  Sua suspensão tinha quarto amortecedores hidráulicos e molas helicoidais. Atrás tinha eixo rígido e recebia barra estabilizadora. Tinha opção de pneus 6,95 x 14 ou 7,35 x 14. 

Suas linhas eram simples e harmoniosas mas não fazia dele um automóvel  bonito. Mas era simpático. Tanto a frente quanto a traseira tinham caídas em curva. A perua era equilibrada. Mas o mesmo não poderia se dizer da picape Ranchero.  

O cliente também tinha ainda a opção de um motor de 8 cilindros em V. Este tinha 4.736 cm³ e 203 cavalos. Não era um “compacto” super potente, mas melhorava muito sua performance geral.Chegava a 175 km/h.

O acesso para interior era facilitado pelas portas de bom tamanho. O painel era simples e continha o básico.

A Chrysler fazia concorrência com o Plymouth Valiant, a American Motors com o Rambler e a General Motors não demorou a dar a resposta também e lançou, em 1960, o Chevrolet Corvair. Só que este tinha outra configuração mecânica. 

Em 1961 era lançado a versão Futura (abaixo) que se tratava de um Falcon mais luxuoso. No final deste ano, incluída todas as versões, já tinha sido produzidas quase 1 milhão de exemplares.

Em 1963 um  conversível de duas portas era recebido bem pelo público. Era atraente.

Em 1964 houve a primeira mudança nas linhas. Ficaram mais retas seguindo a moda, mais moderno e mais bonito também.

Para o modelo station wagon não faltava a opção da lateral da carroceria com imitação de madeira e bagageiro no teto.

Ganhou também novos motores. Um novo seis cilindros chamado Big Six com 150 cavalos e um V8 de 4.783 cm³ com 200 cavalos.

Sua máxima agora passava a 185 km/h e também dispunha, opcionalmente, de uma nova caixa de quatro marchas manual com alavanca no assoalho e assim, pela primeira vez, dois bancos individuais na frente. Só para o cupê e para o conversível.

Na Europa participava, nas mãos de Jô schlesser do Rali de Monte Carlo, mas chegaram num modesto 11º lugar. Não era um carro adequado a este tipo de prova.

Passaram-se dois anos e o Falcon recebeu nova maquiagem e esta foi muito bem sucedida. Suas linhas ficaram mais limpas, bonitas e ao gosto dos “pequenos” carros da época. O duas portas era, disparado o mais agradável aos olhos.  Todos da linha estavam melhores e mais aperfeiçoados.

E ganhava mais uma opção de V8, o motor 302, o mesmo do nosso Maverick, com 225 cavalos. Seu 0 a 100 km/h se fazia em 11 segundos e a final chegava a 190 km/h.

Em 1967 a versão conversível era descontinuada e a picape Ranchero passa a ser feita, outra vez, a partir do irmão maior Fairlane.

 

Mas apesar do bem sucedido design, sua produção anual começava a decair. 

Em 1970 mais outra mudança de carroceria que não durou muito apesar de ser atraente. Seu chassi era utilizado pela linha Mustang e Maverick.

E depois a versão 70 ½ . Estava maior, mais potente e carroceria baseada na linha Torino. O motor com seis cilindros tinha 200 polegadas cúbicas (3,3 litros) e o 250 (4,1 litros). Também contava com o motor 302 V8, o mesmo utilizado em nosso Maverick

Havia o 351 (5.751 cm³) com motor Cleveland V8 que tinha um carburador de corpo duplo e desenvolvia 166 cavalos. Media 5,27 metros de comprimento, 2,02 de largura e 1,35 de altura. Seu peso era de 1.650 quilos. Chegava a 185 km/h.  O mais potente era o 429 ( 7.030 cm³)  com 208 cavalos a 4.400 rpm e 44,5 mkg.f de torque. Era alimentado por um carburador de corpo quádruplo. Chegava a 195 km/h. 

Era oferecido nas versões cupê, quatro portas e Station Wagon.

Após quase 2,8 milhões de exemplares, só nos EUA, no final de 1970 o Falcon deixava de ser produzido neste país.  Encerrada a produção, o Maverick, foi lançado em 1969, e o Fairlane, passaram a ocupar mais espaço na linha da Ford.

Desde 1961 ele começou a ser exportado desmontado para a Argentina e faria muito sucesso neste país. E só encerrou a produção em 1991 com a mesma carroceria do início recebendo plásticas nas grades e para-choques. Havia as versões quatro portas, perua chamada de Rural e a picape Ranchero.

Na Austrália fez muito sucesso. Só que lá foi fabricado até 2016 sofreu várias alterações de estilo.

As Vans Econoline produzidas entre 1961 e 1967 utilizavam o chassi e motores do Falcon. Havia além destas a versão fechada e picape

Texto e montagem Francis Castaings. Fotos de divulgação                                       

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