Um Sucessor Classe A

A grande produção em série começou nos Estados Unidos da América com o Ford modelo T em 1908. O Lema era "América sobre Rodas". E  depois se consolidou com o Ford modelo A com vários tipos de carroceria a partir de 1928. Foram mais de 15 milhões de unidades do Ford T.

O Modelo A tinha carrocerias cupê, Sport Cupê, Cabriolet, Tudor sedã (duas portas), Fordor Sedã (quatro portas),  picape Roadster em 1928 e o Roadster Deluxe. Uma versão muito procurada era a quatro portas modelo Phaeton com capota de lona (abaixo). Acomodava com conforto cinco passageiros.

Desde os primórdios da indústria de automóveis no princípio do século XX, não era nada fácil projetar, planejar, fabricar e obter sucesso como o modelo antecessor de sucesso. Foi o caso da Ford, sediada em Dearborn, Michigan nos Estados Unidos. O modelo T, produzido entre 1908 e 1927 com diversos tipos de carroceria, mais de 16 milhões de unidades, sendo superado décadas mais tarde pelo Volkswagen sedã, Volkswagen Golf e depois pelo Honda Civic. Abaixo um modelo T 1925 Burche

A frase do patrão Henry Ford ficou famosa: “O cliente pode ter o carro da cor que quiser, contanto que seja preto”. O modelo T atingiu dez milhões de unidades em 1924.

O famoso Tin Lizzie, como o modelo T era chamado na América (Lizzie era nome dado as empregadas domésticas nos Estados Unidos e Tin (lata). Tornou-se “empregada de lata”... e Ford Bigode no Brasil, devido às alavancas na coluna de direção para acelerador e avanço de ignição. O Ford T tinha quatro cilindros em linha, 2.900 cm³ e 20 cavalos. Sua velocidade máxima era de 72 km/h! O primeiro modelo custava 850 dólares e em 1927 seu preço estava reduzido: 300 Dólares! Henry queria que seus funcionários tivessem condições financeiras de comprá-lo!

Em dezembro de 1927, o modelo A nascia para fazer frente aos Chevrolet e Dodge que eram seus principais concorrentes e já estavam bem mais modernos.

No princípio Henry não queria substituir o sucesso, mas seu filho Edsel insistiu e acertou na aposta do novo Ford. Esta denominação não era nova, pois foi aplicada a um modelo em 1903. O primeiro veículo Ford foi um quadriciclo datado de 1896. Em apenas seis meses o  modelo A chegou à produção após cessar a fabricação do  modelo T.

Aproveitando a fama de boa marca que a Ford já tinha no mercado, foi elaborada uma campanha publicitária intensa para revelar o carro ao público. Depois que a imprensa publicou dados secretos que a empresa facilitou o acesso, os jornais (cerca de 2.000) divulgaram anúncios do novo carro aos poucos. Alguns de página inteira! Foram cinco dias seguidos de grande divulgação no território americano, também em rádios e revistas, sendo que no último dia foi apresentado com várias fotos. E em 2 de dezembro de 1927, como modelo ano 1928. Tem-se notícia que 1/3 da população americana compareceu às concessionárias! E não ficaram desapontados! Abaixo um modelo A Fordor (quatro portas) e carroceria Briggs em aço e fechada.

O modelo A tinha motor com quatro cilindros em linha, arrefecido à água, em posição longitudinal, 3.300 cm³, 40 cavalos, tração traseira e caixa manual de três velocidades. A velocidade máxima era de 104 km/h! O consumo era de 8 a 12 km/l. Movido a gasolina, a tampa do tanque ficava pouco a frente do para-brisa.       

Sua suspensão tinha amortecedores hidráulicos de dupla ação, molas dianteiras semi-elíticas longitudinais e a traseira tinha  feixes de molas transversais. E freios nas quatro rodas a tambor, mais seguro que o T, pois este tinha apenas nas traseiras. Abaixo o chassi que tem estrutura de perfis/longarinas de aço.

Suas rodas raiadas eram de aço com diâmetro de 21 polegadas e no final da produção era fornecida com 19 polegadas e largura de 4 polegadas.

Tinha entre-eixos de 2,62 metros, comprimento de 4,19 metros e pesava 1.027 quilos. A carroceria era feita em aço vanádio, mais flexível e poderia finalmente receber cores diversas. As preferidas eram em dois tons!

Eram produzidoa com 6.800 peças, mais de cem milhões de dólares foram gastos no projeto e na modernização das fábricas espalhadas no país. Era uma alta quantia na época. Nos Estados Unidos foi produzido nos estados da Pensilvânia, Chicago, Michigan, Flórida, Califórnia, Minnesota e Ontário no país vizinho Canadá.Também em outros países: Austrália, Argentina, Chile, Alemanha, Japão, Dinamarca, Irlanda, Inglaterra e até na Rússia. No Brasil era montado na fábrica de São Paulo na Rua Solon, bairro do Bom Retiro. A fábrica de Chicago era a maior e mais moderna do mundo.

Outro modelo A também distinto. Observe o furo na parte de baixo da grade do radiador para dar partida via manivela. Cedeu lugar em 1932 para o modelo B e em 1933 já tinha o motor "Flathead V8 " que foi elogiado em carta, enviada ao Senhor Henry, pelo casal de ladrões Bonnie e Clyde devido ao seu ótimo desempenho para a época.

O painel simples com instrumentação central. Contava com velocímetro, medidor de nível de gasolina e óleo. Ganhavam iluminação também. Foram montadas baterias comuns de seis volts, ignição com uso de bobina no lugar do magneto.

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Os modelos mais vendidos no início da produção foram os conversíveis de dois ou cinco lugares e o sedã de duas portas.

Saiam da fábrica com as cinco rodas raiadas de aço, espelho retrovisor, limpador de para-brisa, lanterna e luz de freio. Incluía caixa de ferramentas com várias peças, bomba para encher pneus, calibrador, manual do proprietário e pistola de lubrificação a pressão que vinham numa bela maleta.A mala para bagagens atrás era um opcional.

Acessórios muito interessantes assim como a buzina cônica e o mascote que podia vir com um medidor de temperatura. A exceção da picape, na maioria dos modelos, o pneu estepe estava preso na tampa traseira e apoiado no para-choque. O cupê, podia ter como opcional, um prático banco para dois adultos que aqui no Brasil foi apelidado de banco da sogra!

Em 1929 foi lançada uma Station Wagon derivada do Ford A. Foi a primeira no gênero a ser produzida em grande escala. As versões mais refinadas, Victoria Coupé e Town Sedan foram as últimas que chegaram a linha de montagem. O modelo A, assim como todos os carros americanos, tiveram sensível queda de vendas devido a quebra da bolsa de Nova York em 1929. Apesar do momento crítico, em outubro do mesmo ano a Ford ficou em primeiro lugar no mercado americano. Em 1930, o modelo A tinha novos para-choques, em posição mais baixa, eram mais largos também, capô mais alto e pneus com aros menores.

O grande Ford Modelo A foi muito bem em vendas. Foram no primeiro ano 607 mil unidades, 1,5 milhão em 1929, 1,1 milhão em 1930 e 615 mil já no ano da crise. Em novembro de 1931 se despedia da linha de montagem. Foram apenas quatro anos na linha de montagem, mas o Modelo A foi um grande sucesso desde seu lançamento e até hoje é cultuado nos quatro cantos do mundo! Provou ser robusto, eficiente, versátil e muito bonito!

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A picape

Outra. Observe o apoio pantográfico para segurar a mala

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Nota: Em um leilão da famosa, em novembro de 2014, no Texas, a casa RM SOTHEBY'S, com sedes no Canadá, nos Estados Unidos, no Reino Unido e na Alemanha apresentou os modelos picape Roadster A e os derivados, pequenos caminhões AA. Os preços variaram entre 24.000 a 40.000 Euros sendo que este último valor era de um caminhão tanque.

Cotação na Europa: O preço varia entre 10.500 à 38.000 Euros (Town Car Coupé DeVille)

Cotação nos Estados Unidos: Varia entre 14.000 à 32.000 para um Ford Modelo A Deluxe Roadster 1930 com o assento traseiro.

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O substituto: Ford 1934 com motor V8

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Nas Pistas

Este modelo e outros do mesmo quilate são presenças constantes na Corrida Pá na Tábua em Franca, São Paulo. Dividida em várias categorias, tem participação de Nelson Piquet e de seu filho Pedro

Um pouco da mecânica

No Circuito dos Cristais em Curvelo, Minas Gerais.

Veja como foi a prova dos Clássicos.

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Modelos especiais 

Ford T Runabout 1906

Um Ford muito especial modelo A com carroceria Gordon Buehrig 1931. Logicamente foi restaurado. O jovem Gordon Miller Buehrig aos 27 anos era desenhista da Dusemberg e é obra dele também o belo Lincoln Continental Mark II

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Os Hot Rod

Muito apreciado nos Estados Unidos, Brasil, Austrália... eles recebem motores com quatro ou seis cilindros em linha e também potentes V8. A cultura Hot Rod começou nos Estados Unidos já na década de 30 e ganhou muitos apreciadores nas décadas seguintes de 40,50,60... no começo eram motores pouco trabalhados, suspensão dianteira rebaixada, pneus mais largos na traseira, sem para-lamas, alguns sem capota, escapamentos mais trabalhados e muito alívio de peso. Aos poucos os motores ganharam potência e eram usados em corridas de rua e pistas retas. Há anos existem empresas especializadas para melhorar a performance, peças refabricadas com material novo, seguem as especificações de fábrica, tudo para o Ford A ficar muito rápido!

Abaixo um Ford 32 cupê High Boy

Uma picape

Um Hot Tudor

Um Fender Hot Rod Car que não tem para-lamas e mostra mais sua mecânica. O proprietário deste fez questão de fabricar peças tal qual se usavam em Hot's americanos da década de 50.

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As miniaturas

Em 1933 as linhas do modelo B já eram bem mais modernas que o modelo A. Abaixo um Hot Ford 1932 com partes da carroceria do modelo A.

Um modelo B um pouco mais comportado. Apenas a grade frontal e detalhes o diferenciam do A.

Uma Hot picape personalizada. Todos na escala 1/18 e de fabricantes de miniaturas norte-americanos.

Um Street Rod 1932

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Nas telas

Na novela das seis, Espelho da Vida, que começou em 25 de setembro de 2018, retrata sobre uma ótica espírita, contar uma história de amor ambientada em dois séculos diferentes.

A História com cenários em Tiradentes, Mariana, Carrancas e Ouro Preto, Minas Gerais

Em Espelho da Vida a atriz Vitória Strada  vive Cris Valência que chega à fictícia cidade mineira Rosa Branca acompanhada do namorado, João Vicente de Castro que vive o diretor de cinema Alain Dutra. Ele nasceu e cresceu na pequena cidade, mas foi embora ainda jovem após romper com sua antiga namorada Alinne Moraes que vive Isabel.

Alain retorna à cidade, pois seu avô está prestes a morrer! O ator Reginaldo Faria, o avô, faz  um pedido especial a seu neto. Fazer um filme baseado na história de Julia Castelo, uma moça moradora da região na década de 1930, vítima de um crime passional.

Cris Valência passa a ler com muita atenção e dedicação os diários Julia Castelo e faz visitas com certa frequência ao casarão onde ocorreu o assassinato. Nesta ficção Cris entra no casarão e volta ao passado, no corpo de Julia Castelo. E começa a investigar com empenho  o assassinato ocorrido há 100 anos e se relaciona com os envolvidos na trama das décadas de 20 e 30.

Fotos cedidas gentilmente por Júnior Pimentel de Barbacena, Minas Gerais, colecionador e proprietário do Ford Phaeton 1929 verde. Abaixo Júnior que atuou como figurante na novela.

Júnior com a atriz Aline Moraes

E com o ator Rafael Cardoso                                        

Estas cenas foram gravadas em Mariana, Minas Gerais

E mereceu artigo num jornal de Barbacena.

Muito obrigado Júnior!

Texto, fotos e montagem Francis Castaings                               

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