O Revolucionário Ford Europeu

A fabrica Ford da Alemanha foi fundada na cidade de Colônia em 1920. Seus modelos até 1931 eram idênticos aos americanos. Depois disso começaram a ter identidade própria.

Depois de vários automóveis de sucessos produzidos, em 1982, foi lançado, na Europa, o Ford Sierra. Este tinha a tarefa de substituir a série de sucesso mundial Taunus que fizera bastante sucesso continente europeu, na Austrália e na Argentina.

O modelo de cinco portas causou impacto. Baseado no Ford Probe, um modelo experimental futurista já apresentado num salão anteriormente, seu estilo era audacioso e avançado para época. O hatch tinha boa área envidraçada e media 4,39 metros de comprimento, 1,67 de largura e 1,36 de altura. Seu peso era de 970 quilos na sua versão básica com motor dianteiro longitudinal, arrefecido a água, quatro cilindros 1.294 cm³ e 60 cavalos. Sua tração era traseira e caixa manual de quatro ou cinco velocidades (opcional). Seus freios dianteiros era a disco e traseiros a tambor. Tinha suspensão tipo Macpherson, independente nas quatro rodas, molas helicoidais, amortecedores telescópicos e barras estabilizadoras.  Por dentro conforto e segurança

Acima havia a versão com 1.597 cm³, quatro cilindros, 75 cavalos e um carburador de corpo duplo. Tinha caixa de marchas de cinco velocidades e sua velocidade máxima era de 165 km/h. Nesta configuração era um sedã muito familiar e portanto, comportado.

No ano seguinte, no salão de Frankfurt, na Alemanha, era apresentado o modelo três portas que tinha enormes vidros laterais. Sua tampa traseira era farta e por isso o acesso era muito bom.

Além do motor básico, este também poderia adotar o propulsor 1.800 ou o 2.000 cm³. Este último tinha 1.998 cm³ e 109 cavalos. Como os outros sua tração era traseira. Sua velocidade final era de 186 km/h e chegava aos 100 km/h em 10,7 segundos. Usava pneus 185/70 TR 13. Seus freios dianteiros eram a disco, ventilados e os traseiros a tambor. O coeficiente aerodinâmico era de 0,34 considerado muito bom para época. Isto se dava graças a sua frente em cunha e linhas muito curvas e estudadas em túneis de vento.

Os quatro faróis, um retangular e outro pequeno quadrado, ficavam atrás de uma lente de vidro retangular. A entrada de ar frontal era mínima.

Em 1984 o belo Ford ganhava, como opção, caixa de quatro velocidades automática e novos motores 1.800 e 2.000 cm³ (105 cavalos)  com injeção eletrônica. Também um V6 com 1.999 cm³ e 90 cavalos a 5.000  rpm. Chegava a 175 km/h. Outras com o motor V6 eram a 1.294 cm³ e 155 cavalos chegando a 190 km/h e 2800 V6 (2.792 cm³) e 150 cavalos reservada ao modelo cupê. As versões de acabamento variavam entre a básica CL, passando pelas GL, GT, Ghia, e XR4 que era a mais esportiva e arisca.

Neste ano também começa a ser produzido na Argentina. Lá era equipado com  um motor 1.600 cm³ de quatro cilindros e também do “internacional” motor 2.300 Ford fabricado em terras brasileiras, Taubaté, São Paulo. Foi usado aqui no Maverick e lá nos EUA na versão mais barata do Mustang.

Em 85 a versão XR4i (acima) passava a ser XR4 4x4. Foi apresentado no Salão de Genebra, na Suíça. Muito interessante, principalmente num continente que rodar sobre a neve é corriqueiro e por isso esta tração é comprovadamente eficiente.

Tinha de série freios ABS (Anti-lock Braking System) e sua tração tinha distribuição de torque 34% na frente e 66 % atrás. Fez logo sua estreia em ralis, primeiro nos regionais e teve sucesso.

No ano seguinte chegava a versão perua (acima) também equipada com esta tração. Em ambos o motor era um V6 longitudinal dianteiro de 2.800 cm³. Fazia de 0 a 100 km/h em 9,0 segundos, desenvolvia 140 cavalos e sua final era de 205 km/h

Também foi apresentada a versão mais famosa e desejada: - a Cosworth (acima) . Este nome é cultuado na Inglaterra há anos e é sinônimo de velocidade, aceleração e emoção. O motor instalado na versão Hatch de cinco portas, também chamada pelos britânicos de Saloon, tinha quatro cilindros em linha, 1.994 cm³, quatro válvulas para cada, dois comandos, injeção eletrônica e  turbocompressor Garret T3. A caixa tinha cinco marchas com relações curtas. Sua direção era hidráulica. Desenvolvia 204 cavalos a 6.000 rpm. Só podia ser abastecido com a gasolina Eurosuper. Seus quatro freios eram a disco sendo que os dianteiros eram ventilados. Os pneus de aro 15 tinham medidas 205/50 VR.

O carro era mais rápido que a flecha do amado herói natal Robin Hood. Seu 0 a 100 km/h era cronometrado em 6,8 segundos e sua final era de 242 km/h. Espantava muito esportivo alemão e italiano. Pesava 1.250 quilos, 20 a menos que o irmão equipado com motor V6. 

Em fevereiro de 1987 chegava uma versão três volumes de quatro portas. O estilo era muito bonito e equilibrado. Para aqueles futuros proprietários mais ortodoxos. E agradou.

Também sofrera a primeira maquiagem de rejuvenescimento. A grade dianteira ganhou tamanho e os faróis também, fazendo quase um único conjunto com as luzes de seta. O departamento de estilo acertou e beneficiou todos os modelos da linha.

Também, neste ano, o Sierra XR4 4x4 de fábrica estreava nos ralis da Europa. Seu motor tinha 2.935 cm³, taxa de compressão de 9,5:1 e potencia de 145 cavalos a 5.500 rpm.

Sua estreia em provas de rali se deu na famosas etapa de Monte Carlo, que, realizada no princípio do ano, tem muita pista coberta de neve. Nas mãos do competente piloto sueco Stig Blomqvist, o modelo hatch de cinco portas 4x4 chegou na quarta posição. Na etapa seguinte, na terra de Stig, foi o sexto colocado. Nas outras provas o modelo Sierra RS500 Cosworth entrou em ação, mas fora das mãos da equipe oficial. O motor levava as rodas quase 300 cavalos. Por fora, na carroceria três portas, era notável o aerofólio traseiro de um tamanho que não passava despercebido. Este artefato também equipava a versão civil.

Sua melhor performance foi na Finlândia e no Lombard RAC Rally na Inglaterra onde tiraram 2º e 3º lugares. 

Em 1988 a Ford Europa vendeu quase 1,5 milhão de veículos de toda a sua linha e foi o quarto maior do velho continente . Ficou atrás da Fiat, Grupo VW e Grupo Peugeot S.A. Já tinha vendido mais de dois milhões de Sierra no continente desde do inicio de sua fabricação. O modelo tinha 46 versões, carrocerias de dois volumes com três e cinco portas, o sedã, a perua e motores que iam de 1,6 a 2,9 litros.

O modelo três volumes também ganhava a versão Cosworth e carroceria de cinco portas deixa as linhas de montagem. E só esta ficou exclusiva com a motorização mais desejada até o final da produção.  

Um novo motor 1.800 passou a fazer parte das opções de toda linha. Mais econômico, mais potente e pode utilizar sem problemas a gasolina sem chumbo já presente nos postos europeus.

Também nova é a versão GT para os sedãs e para a perua. Seu motor 2.000 desenvolvia 105 cavalos. Também versões com motor 2,3 litros e 67 cavalos a combustível diesel faziam parte da linha. E agora todos os modelos tinham rodas de aro 14 nas medidas 195/65 TR 14 antes exclusivo das versões Ghia e GL. Por dentro tinha ótimo painel bem equipado e conforto idem.

No 38º Rali da Suécia no ano de 88, o Sierra XR4 4x4 chegava em segundo nas mãos nobres e competentes de Stig Blomqvist. Depois em Portugal, como o modelo Cosworth, tirou o quinto lugar. Não conseguiu, apesar de muita luta e também de muitas avarias na carroceria, acompanhar os carros com tração total. Mas foi muito bem nos trechos asfaltados. Erro de estratégia da Ford.

Na Volta da Córsega, subiu na rampa da vitória na frente de todos os concorrentes. Nas mãos de Didier Auriol. No Rali do 1000 Lagos na Finlândia, também com o francês, tirou o terceiro posto. Stig ficou em quinto e o espanhol Carlos Sainz em sexto. Na soma dos pontos a equipe Ford oficial ficou em segundo no campeonato. A Lancia levou.

Foi fabricado na Alemanha, na Inglaterra, na Irlanda, Argentina, Venezuela, na África do Sul e Nova Zelândia.

O modelo sedã se chamava Sierra Sapphire na Inglaterra.                                                                              

Também nos Estados Unidos foi comercializado com o nome de Merkur XR4i pela divisão Lincoln-Mercury. Lá não teve sucesso e foi logo substituído pelo irmão maior, o Scorpio.                                                                                                  

Em marco de 1993 deixou de ser fabricado. Foi substituído pelo novo Ford Mondeo. Até hoje tem vários admiradores nos quatro cantos do mundo. Até nos EUA...

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A miniatura

Foi fabricada pela Autoart  na escala 1/18 versão 1987

 

Texto e montagem Francis Castaings. Demais fotos de divulgação                                  

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