A pequena joia de Hethel

Colin Chapman e Colin Dare fundaram a Lotus Cars Ltd em 1947 com o compromisso de fazer sucesso. E fizeram muito com seus esportivos velozes, originais e eficazes. Várias experiências e soluções adquiridas nas competições aplicavam na produção de seus carros de rua. No começo da década de 60 o modelo Elite (Saiba Mais)  e o Super Seven, lançado em 1957, já faziam os ingleses orgulhosos, o restante da Europa muito admirada e os americanos bons compradores. Os carros da pequena cidade de Hethel já eram conhecidos no mundo inteiro.

No Salão de Londres de 1962 foi apresentado um conversível de linhas modernas e atraentes, curvas e esguias. Seus faróis, redondos, eram escamoteáveis uma ousadia para a época. Os para-choques muito rentes a carroceria e logo abaixo deste, a entrada de ar oblonga para o radiador. Atrás, quatro pequenos faroletes e duas mínimas luzes de seta.  A agressividade amena. Seu nome era Elan. E este pequeno era mesmo entusiasmado.

Seu chassi em aço e em forma de "Y" faria história e seria aproveitado em projetos futuros. Sua carroceria era em plástico reforçado com fibra de vidro. Media 3,69 metros de comprimento, 1,14 de altura e pesava apenas 590 quilos.

Seu motor era um Ford 122 E inglês, derivado do modelo Cortina (saiba mais) , em ferro fundido, tinha duplo comando de válvulas no cabeçote (preparação exclusiva Lotus), dianteiro, de quatro cilindros em linha, com 1.500 cm3c e arrefecido a água. Usava caixa de quatro marchas (do modelo Ford Corsair de série), todas sincronizadas e sua tração era traseira.

Não demorou muito e o motor já estava mais potente. Passou a ter 1.558 cm³ com uma potência de 105 cavalos a 5.500 rpm. Era alimentado por dois carburadores de duplo corpo da marca Webber e sua taxa de compressão era de 9,5: 1 . Podia carregar 45 litros de gasolina e sua velocidade final era de 182 km/h.

O Élan era veloz, muito bom de curvas e ágil com leve tendência subesterçante. Usava pneus 145 x 13 com rodas de aço e calotas simples. Sua suspensão era independente nas  quatro rodas e tinha amortecedores hidráulicos telescópicos. Seus freios eram a disco nas quatro rodas da famosa marca Girling. O pequeno esportivo tinha concepção simples, mas refinada. Usava materiais nobres.

Assustava carro de muito maior potência e prestigio. Seus concorrentes eram o Porsche 356 (Conheça) mais tarde o 911 entraria para a “briga”) , o Alpine A110, o Alfa Romeo GTA, o MGB e o Austin Healey em terras britânicas. Todos estes, inclusive o Lotus, não eram carros baratos, mas não chegavam a custar tanto quanto esportivos italianos e ingleses famosos. E a prestação de serviço era quase tão boa.

Em 1965 foi  lançado o modelo Elan S2 Cupê GT. Tratava-se de cupê 2+2 . Era um pouco mais pesado, 620 quilos, mas mantinha a mesma esperteza. Este modelo também era muito bonito e podia receber um teto solar de lona como opcional, ou também vinha com a capota em cor diferente da carroceria. Em ambos os casos, ótimo para um casal de espírito esportivo e discreto.

Sua potência também crescia com o novo motor SE(Segunda Edição) com 115 cavalos. Sua relação peso/potência era de 5,8 Kg/CV um pouco maior que o modelo conversível. Este ia de  0 a 100 km/h em 7,2 segundos, cobria o quilômetro inicial em 28, 5 segundos  e tinha velocidade final de 190 km/h. Uma performance atual.

Por dentro podia acomodar, na frente, passageiros com até 1,85 de altura com certo conforto o que era ótimo para um pequeno cupê esportivo.

No painel, que antes tinha forração em vinil, passava a ser de madeira. Contava com conta-giros, com a zona vermelha começando a  6.000 rpm, o velocímetro graduado até 220 km/h, medidor de pressão de óleo, marcador de temperatura da água , amperímetro e nível do tanque de combustível. Todos os relógios eram da marca Smith famosa entre os ingleses no anos 60. O volante com aro de madeira tinha três raios de alumínio e boa empunhadura. A posição de dirigir era muito boa.

No meio dos bancos a alavanca de marchas de curso curto tinha o famoso símbolo da Lotus sobre o pomo. Este também estava presente no centro do volante, nos cubos de roda e no escudo no meio do capô. Trata-se de um o logotipo redondo com um  triângulo inserido, com o fundo na famosa cor verde-britânico e o emblema da pequena empresa. Neste ano também, os vidros elétricos estavam disponíveis nas duas versões de carroceria.

Três anos depois, em 1968, ganhava ressalto no capô, para-lamas mais largos e faroletes retangulares. Estava mais moderno. Era o Elan +2 S

Em 1971 o tamanho das válvulas aumentava e consequentemente o modelo ganhava potência e velocidade. Passava a ter 126 cavalos e a final chega a 195 km/h. Sua taxa de compressão passava a 10,3:1 Alguns se referem a este modelo como o Big Valve. Mas ele passa a se chamar Elan Sprint e esta inscrição estava em faixas decorativas na lateral. Abaixo desta, o carro também mudava de cor, normalmente prateado, e dividiu opiniões. Os americanos gostaram... As bonitas e discretas rodas de liga agora estavam juntas com pneus 155 HR 13. 

A partir de 1973 o Elan ganhava caixa de cinco marchas que era bem mais adequada ao bom desempenho do esportivo.   

Fez carreira brilhante nas pistas em campeonatos britânicos, europeus e americanos. Competiu nos grupos 1,2 e 5 (conforme a preparação) regulamentados pela FIA. Dava um show nas pistas.

No final de 1973, depois de muito sucesso no mundo inteiro, passou o cajado para o modelo Elite bem mais moderno e ajustado a década de 70. O Lotus Elan foi um dos melhores carros de sua geração e até hoje é lembrado com saudade.

Em 1989, no Salão de Frankfurt na Alemanha, a tradicional empresa de esportivos britânica relançava o modelo Elan conversível. Só conservava o espírito do antigo.

Os amantes ainda são muitos e até hoje a própria Lotus fornece peças de reposição mecânica e de carroceria. Vale a pena ter um!

É presença constante em corridas de veículos históricos de competição (VHC)


Texto e montagem Francis Castaings. Fotos de divulgação  e fotos eventos Peter Auto                                       

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