O Britânico disfarçado - Um inglês de muitas faces

Quando alguém fala sobre os famosos carros ingleses da marca MG logo vem a cabeça os pequenos roadsters esportivos, ágeis e velozes.

O menor sedã esporte inglês nasceu em 1962 de um projeto em conjunto com a Austin e a Morris. Era o mesmo carro, mas o acabamento, interno e externo e a motorização os diferenciava. O projeto ADO (Austin Design Office) 16 nasceu da cabeça de Alex Issigonis, o mesmo criador do genial Mini. Este novo mantinha as mesmas idéias do pequenino que fez muito sucesso na Grã-Bretanha e também fora dela.

Tratava-se de um hatch de cinco portas, com 3,73 metros de comprimento e peso de 840 quilos. Tinha ótima área envidraçada.Muito compacto, logo caiu no gosto, pois não era tão pequeno quanto o Mini nem grande quanto a concorrência. Levava com conforto quatro passageiros. Fácil de estacionar também era muito ágil no trânsito.

O motor dianteiro era transversal, com quatro cilindros e 1098 cm³. Sua taxa de compressão era de 8,9:1 e sua potência de 55 cavalos a 5.500 rpm. As válvulas eram no cabeçote e o comando lateral. Era alimentado por dois carburadores SU semi-invertidos e sua velocidade máxima era de 145 km/h.  A tração era dianteira e o cambio tinha quatro marchas sendo que a primeira não era sincronizada.

Sua grade dianteira, dividida ao meio, era quase um trapézio invertido com frisos verticais ocupando parte da frente. No topo desta se destacava o símbolo famoso da MG. A carroceria elegante dividida por um friso e poderia receber duas cores o que o tornava mais exclusivo.

A suspensão de geometria trapezoidal, era chamada de hidroelástica. Não utilizava amortecedores, e sim  elementos de borracha. Tinha quatro rodas independentes e estas usavam pneus 5.50 – 12. Trazia ótima estabilidade ao compacto e conforto aos passageiros. Fazia curvas de dar inveja a muito automóvel de maior porte. Os freios, com comando hidráulico, eram a disco na frente, da marca Lockheed, e a tambor atrás.

Por dentro o painel era muito simples. Retangular, trazia marcador de temperatura, velocímetro graduado a 100 milhas por hora (aproximadamente 160 km/h) e nível do tanque de gasolina. Para ajudar luzes espia de carga da bateria e pressão do óleo. Por baixo, um imenso porta-trecos muito útil. O volante de boa empunhadura, tinha desenho simples e dois raios.

No mesmo ano era lançado o Morris 1100. Neste a grade, com frisos horizontais era bem maior e ocupava quase toda frente. E abaixo dos mesmos faróis redondos, a luz direcional era retangular sendo que a do MG era redonda. Com acabamento mais simples e motor menos potente tinha 48 cavalos e um carburador. Sua velocidade máxima era de 130 km/h e fazia de 0 a 100 km/h em 23 segundos. As diferenças eram mínimas.

Um ano depois, em setembro de 1963 chegava a versão da Austin. Tinha a mesma grade do Morris, porém com frisos horizontais e verticais.  O resto era quase idêntico.

Custavam menos que o MG e não tinham o mesmo charme. Os três tinham uma versão duas portas, mas só a Morris e a Austin tinham a versão perua, também com duas portas, sendo que todos eram do mesmo tamanho. A versão Countryman era da Austin e a Traveller Estate da Morris.

Aproveitando a onda de versões, a Vanden Plas lança o modelo Princess 1100. Esta empresa inglesa antiga e tradicional em transformação de carros comuns em automóveis de alto luxo se esmerou no pequeno sedã. Tanto por fora quanto por dentro, ele era muito luxuoso. Por dentro muita madeira nobre, maior número de instrumentos e bancos com tecido de ótima qualidade. Por fora tinha mais dois faróis auxiliares, para-choques maiores e bonita grade com desenho semelhante a do MG, porém maior. Chamavam-no de mini Rolls. Até hoje um ícone.

Em 1964, a filial italiana da British Leyland, a Innocenti, lança o I4 que era irmão gêmeo latino do Austin. Nem as calotas eram diferentes.

 

Luxuoso também era o Wolseley. Lançado em 1965 diferenciava-se dos “irmãos” pela grade dianteira, muito parecida com a dos Lancia e pelos para-choques. Não era tão harmonioso quanto aos outros por estas significativas diferenças.

Em 1968 o motor do MG ficava mais potente. Passava a ter 1.275 cm³ e 65 cavalos a 6.500 rpm. Sua taxa de compressão era de 8,8:1, tinha carburação dupla e a velocidade máxima passava a ser de 158 km/h e o 0 a 100 km/h em 13,5 segundos. Muito atraente nesta nova configuração, continuou fazendo sucesso. A caixa de marchas era toda sincronizada e a versão Vanden Plas e Wolseley traziam a opção automática.

Em 1971 os Austin e Morris tiveram a grade redesenhada. Mantinham só um friso horizontal ao centro e fundo era preto. Novos para-choques equipavam toda a linha assim também como pneus 145 SR 12 mais modernos.  

Em 1970 seus concorrentes eram o Simca 1000, o Opel Kadett, o Fiat 124,  o Renault 8, o NSU 1200 TT e o Ford Escort 1100. Quase todos bem mais modernos do que ele. Em 1971 eram os carros mais vendidos na Inglaterra.

Quase não sofreu retoques na carroceria ao longo de sua produção que foi encerrada em 1974 com mais de 1.200.000 exemplares vendidos incluindo todos os “disfarces”.

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Belo Hot, trabalho muito bem feito neste Morris 1100. Havia também a carroceria com quatro portas e as versões da Austin, MG e Wolseley. O original tinha motor transversal e tração dianteira. Este tem mecânica do Honda Fit e cambio automático.

Texto e montagem Francis Castaings - Fotos de divulgação.

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