A fragata francesa

Logo após a Segunda Grande Guerra Mundial, a Régie Renault contava apenas com os modelos Juvaquatre e Primaquatre. Eram carros pequenos e sem muitas pretensões. Veio se juntar a eles, em 1947, o Renault 4CV. Mas ainda faltava um modelo médio para as classes mais abastadas. Neste mesmo ano começaram os estudos de um novo automóvel.

Em novembro de 1950, era apresentado no requintado Palais de Chaillot , o novo Renault Frégate. O automóvel tinha linhas elegantes, curvas, quatro portas, estrutura monobloco, 4,70 metros de comprimento e pesava 1.260 quilos. A carroceria era em aço estampado. Com conforto viajavam seis  passageiros pois o carro era muito espaçoso. Um de seus concorrentes na França era o Citroën Traction.

A parte mecânica era clássica. O motor era um quatro cilindros em linha, dianteiro, refrigerado a água, 2.141 cm³ e potência de 58 cavalos a 4.000 rpm. Era alimentado por um carburador Solex de corpo simples. A caixa de marchas tinha quatro velocidades, alavanca na coluna de direção e a tração era traseira. A velocidade final era de 130 km/h. Os primeiros modelos foram destinados a clientes especiais, gente importante e famosa.

Duas versões de acabamento eram oferecidas. A Affaires (Negócios) mais simples e Amiral mais luxuosa. Esta tinha os bancos com tecidos mais refinados, descansa braço dianteiro e traseiro, teto solar e rodas raiadas. . A grade dianteira da versão mais simples tinha três frisos horizontais. Na versão Amiral (Almirante) tinha grade em formato oblongo com frisos horizontais e verticais.

O painel, em metal e com desenho elegante, trazia velocímetro com graduação horizontal até 140 km/h. Junto dele tinha marcador de temperatura de água, nível do tanque de combustível e luzes espia. O volante com dois raios, tinha acionamento de buzina por aro de metal.

Pneus faixa branca estavam na moda. A medida era 165 x 380. A estabilidade era muito boa, digna de elogios. Todos os freios eram a tambor com comandos hidráulicos. A suspensão dianteira era independente com triângulos superpostos. Tinha molas helicoidais, amortecedores telescópicos e barra estabilizadora. Atrás mantinha o mesmo conjunto,mas os triângulos eram longitudinais. Em 1954 o modelo Amiral estava mais potente. Passava a ter 64 cavalos e a velocidade final era de 135 km/h.

Um ano depois chegava a versão Grand Pavois que trazia a carroceria em duas cores.

Embaixo do capô estava o novo motor Etandart com 2.141 cm³ e potência de 77 cavalos a 4.000 rpm. A taxa de compressão era de 7:1 e o torque máximo de 16,7 mkg a 2.200 rpm. A velocidade final era de 140 km/h. Apesar do motor não ser muito performante, tinha a reputação de ser sólido.

Também chegava para completar a linha a perua Domaine. Prática era a abertura da porta traseira que era dividida em duas partes. E com o banco traseiro abaixado, esbanjava espaço. Tinha o mesmo comprimento do sedã.

E a Peugeot lançava o modelo 403 para fazer concorrência e a Citroën lançava o ultra moderno DS.

Em 1956 era apresentado, em único exemplar um cupê interessantíssimo. Tratava-se do Frégate Coupé Louis Rosier (acima). Este piloto francês tinha uma das mais importantes concessionárias da marca em Clermond-Ferrand. O designer italiano Motto fez um carroceria toda em alumínio e o chassi tubular. Suas linhas eram aerodinâmicas. Na frente tinha quatro faróis circulares e grade oblonga. Bonitas também eram as rodas raiadas de cubo rápido.

Mantinha o motor, mas com algumas alterações. O bloco era em ferro fundido, mas o cabeçote em alumínio. Tinha 2.140 cm³, válvulas no cabeçote e comando lateral. Era alimentado por um carburador de corpo duplo e o rendimento era de 88 cavalos. O esportivo media 3,98 metros de comprimento, pesava 920 quilos e a velocidade final era de 155 km/h.O painel tinha desenho exclusivo, o volante esportivo tinha aro de madeira e raios em alumínio. O cambio tinha alavanca no assoalho e para os dois ocupantes, bancos com desenho esportivo. Interessantíssimo era um instrumento da marca Veglia que permitia calcular médias horárias. Neste poderia descontar as paradas.

Em 1957 aparecia, para o sedã, o cambio de quatro marchas totalmente sincronizado com a quarta marcha direta. Por este detalhe era na época um dos carros mais apreciados por aqueles que tinham reboque. Também este ano chegava mais um concorrente para incomodar. Era o Simca Vedette muito próximo ao nosso Chambord.

Em 1958, a empresa de carrocerias Chapron apresenta também um belo cupê conversível que foi fabricado artesanalmente. Também muito elegante, a carroceria, em dois tons e capota de lona, estava bem próxima ao do modelo de série.

Também chegava este ano a perua Manoir que tinha acabamento mais luxuoso que a comum. E vinha com a novidade de uma caixa semi-automática com conversor de torque.

Foram produzidas 180 000 unidades do Frégate. Encerrou a produção em 1960.

Texto e montagem Francis Castaings. Fotos de divulgação                                           

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