O Fantasma de Todas as Óperas

A marca britânica de maior prestígio no planeta, a Rolls-Royce, construiu um modelo de carreira longeva que fez muito sucesso entre reis, rainhas, ricos e famosos. O modelo Phanton. 

Sua primeira versão data de 1925 e era o substituto do modelo Silver Ghost. Tinha um motor dianteiro de seis cilindros em linha, válvulas no cabeçote, um carburador da marca Rolls-Royce, 7.668 cm³ e cerca de 100 cavalos. Era muita potência para uma carro daquela década. Pesava 2.900 quilos e sua velocidade máxima era de 135 km/h

Era o automóvel mais luxuoso da época em todo o mundo. E também demonstrou muita robustez e qualidades mecânicas até então não conseguidas. Uma de suas vantagens era ter quatro freios o que não era muito comum na época. O modelo roadster produzido entre 1925 e 1926 era um carro belíssimo. A famosa atriz Greta Garbo era proprietária de um modelo cupê de 1927 que tinha um para-brisa estreitíssimo. Abaixo um Sedanca 1926

Fato interessante é a que Rolls teve uma unidade fabril nos Estados Unidos, na cidade de Springfield no estado de Massachusetts e alguns Phanton I foram produzidos lá e equipados com carrocerias produzidas por fabricantes americanos, sendo que um dos mais competentes era a Brewster. Abaixo um Rolls-Royce Phanton I ano 1927

Existia uma versão cupê conversível muito bonita cujo para-brisas divido era vertical. O pneu  estepe ficava fixado no para-lamas dianteiro esquerdo, sendo que todos eles, muito estreitos e de grande diâmetro, eram montados em belas rodas raiadas fixadas por um só parafuso central e nos pneus, grossas faixas brancas estavam na ordem do dia. A frente longa com a tradicional grade imponente do radiador fazia conjunto harmonioso com a traseira que no final, antes do para-choques, tinha um luxuoso baú para transportar a bagagem que era removível. Com estradas tão empoeiradas da época, era até pecado sujá-las. Abaixo um Rolls-Royce Phantom II Sedanca de 1929.

Alguns modelos chegavam a ser mais extravagante que os ingleses e a produção neste país foi de 1927 até 1931 e foram produzidos cerca de 1.241 exemplares. Lá concorriam com o Packard, Pierce-Arrow, Duesemberg e Cadillac. Mesmo com a quebra da bolsa de Nova York e a posterior depressão, vendiam muito bem. Abaixo um Rolls-Royce Sports Phantom 1928

Em 1930 foi apresentado na Grã-Bretanha o Rolls Royce Phantom II.

Media por volta dos 6,5 metros e sua cilindrada, em relação ao motor anterior,  foi reduzida para 7,5 litros. Recebeu nova caixa de marchas cuja terceira e quarta eram sincronizadas. A suspensão tinha quatro lâminas semi-elípticas. O posto do motorista e acompanhante, numa das versões mais desejadas, era separado, por um vidro, do luxuoso compartimento dos três passageiros que iam confortavelmente atrás.Acessórios externos como faróis, apoios, estribos, protetores de estepe e pára-choques tinham acabamentos impecáveis e eram um charme a parte. Nesta época de ruas e estradas mal iluminadas, era muito comum faróis acoplados ao para-brisa, para que motorista e passageiro pudessem gira-los para iluminar em várias direções.

Foram produzidas até 1935 cerca de 1.767 unidades. Eram limusines e Saloons com quatro portas e quatro assentos, abertas ou fechadas e cupês montados em pesados chassis de construção rústica, mas muito resistentes. Dentre os fabricantes se destacava a Hooper. Um dos mais belos era o Henry Sedanca cupê de 1932. Em duas cores, tinha a frente muito longa, pára-brisas numa peça única e atrás o famoso baú/mala.

O modelo de 1934, com a carroceria produzida pela Mulliner, já tinha linhas curvas, rodas cobertas com enormes calotas raiadas ouu com calotas e porta malas destacado fazendo parte da carroceria. Tanto os modelos de apelo esportivo quanto os quatro portas e limusines. Os cupês eram especiais

Em 1936 veio o Phantom III que disputou o Raid Londres-Nigéria-Londres e obteve ótimo desempenho sem nem precisar abastecer o radiador com água. Este motor era dianteiro de 12 cilindros em “V”, 7.340 cm³, um carburador em posição invertida e potência  estimada de 165 cavalos. Esta era sempre suficiente e dava conta de impulsionar quase 2.450 quilos que era o peso total deste automóvel de luxo. O Rolls já tinha a durabilidade comprovada e rodava, com a devida e adequada manutenção, 300.000 quilômetros

Este propulsor, muito elogiado, também conhecido como V12 Merlin, pois era similar aos dos famosos aviões Spitfire , Hurricanes, Lancasters e Mosquito utilizados pela RAF (Royal Air Force) na segunda Grande Guerra Mundial. Sua velocidade máxima era de 145 km/h. Seus concorrentes eram o Hispano-Suiza e o Cadillac V16. Sua suspensão era independente e segundo relatos da época, esta foi uma cópia melhorada de um esquema já adotado pela GM.  Até 1939, foram produzidas 710 unidades do Phantom III.

Durante o conflito da Segunda Grande Guerra Mundial, a Rolls Royce voltou sua produção de motores para empregos bélicos. Esses ficaram ainda mais famosos, resistentes e confiáveis. 

Após a Segunda Guerra, a fábrica foi transferida para a cidade de Crewe e nela foram produzidas dezoito unidades do Rolls-Royce Phantom IV entre 1950 e 1956.

Um deles pertenceu a coleção do caudilho espanhol General Franco. Tinha oito cilindros em linha, nove mancais e 5.675 cm³. E foi um dos primeiros Rolls a servir a família Real Britânica. Estava longe de ser um carro bonito como os anteriores. Era alto, com laterais chatas e traseira bem curta. A frente destoava do resto. Era desproporcional.

Mas a versão que está mais presente em nossa memória é aquela que sempre é vista nos desfiles da família real britânica. O modelo Phatom V que foi apresentado em outubro de 1959. O imponente Rolls, que tinha a carroceria construída pela famosa empresa Mulliner e Park Ward,  tinha 6,04 metros de comprimento, 1,75 de altura e 2,0 metros de largura. As más línguas na época falavam que o comprimento dele havia servido de medida para posicionar os novos parquímetros londrinos. Com dimensões tão significativas, este automóvel de prestígio pesava 2.540 quilos. Ele usava o mesmo chassi do modelo Silver Cloud, porém alongado.

O majestoso três volumes tinha quatro portas, de linhas curvas bem típicas dos anos 50, três janela laterais e a parte traseira tinha uma leve caída ressaltando o porta malas. Na frente a bela e famosa grade do radiador, que mantinha o belo e destacável desenho tradicional que havia ficado um pouco menor, dividia a imponência com quatro faróis redondos. Nos para-lamas poderiam ser fixados barretes para a colocação de bandeiras. Seu estilo já era antiquado na época no lançamento. Porém era clássico, tradicional e muito charmoso. Um digno frequentador de palácios, castelos e ....óperas. E pouco lembrava seu antecessor.

Uma versão interessante de carroceria era que tinha capota de lona a partir da coluna B. Desta forma os súditos de sua majestade poderiam vê-la melhor. Porém nos tempos de hoje, esta versão de desfile, não seria tão segura. 

Seu motor dianteiro com 8 cilindros em “V”, tinha o bloco fundido em alumínio, era arrefecido a água, tinha 6.230 cm³ e sua taxa de compressão era de 9:1. Era alimentado por dois carburadores da marca SU. Sua transmissão automática tinha 4 velocidades e a tração era traseira. A velocidade máxima era de 160 km/h e consumia 1 litro de boa gasolina a cada quatro quilômetros. Nada que incomodasse o proprietário. No entanto a capacidade do tanque de gasolina era de 110 litros dando-lhe boa autonomia. Os freios da limusine, com duplo circuito, eram hidráulicos e a tambor ! Apesar do desempenho razoável para um carro deste porte era mais adequado para rodar em avenidas largas em baixa velocidade ou em auto-estradas. Os pneus na medida 8,9 x 15 e a suspensão tinham molas helicoidais na dianteira e na traseira, o eixo rígido tinha feixes de molas.

Em 1965, todos aqueles que trabalhavam na famosa casa de Crewe quase tiveram um colapso. O famoso integrante do mais conhecido grupo de música POP do planeta, John Lennon, dos  Beatles, comprou um exemplar do Phanton e mandou pinta-lo com cores bem “psicodélicas”. Sob fundo amarelo, talvez por causa do “Yellow Submarine” , o Rolls tinha em sua bela carroceria motivos florais e foi pintado por um amigo do músico chamado Gypsy Dave. Em 1986, um empresário de Vancouver comprou o modelo numa exposição e o cedeu ao Royal British Columbia Museum. Está lá até hoje.

Em 1968 chegava o Phatom VI que recebe algumas pequenas modificações. A carroceria é praticamente a mesma. Novos pára-lamas dianteiros e traseiros e nestes novas lanternas que são um pouco maiores.

Para o jubileu de prata da Rainha Elizabeth II foi construído um com teto mais alto e parte deste era em Perspex, um vidro reforçado, para que ela pudesse ser vista com maior facilidade. Era e é usado somente em ocasiões especiais. 

O carro mais caro do mundo, ainda feito sob encomenda, ganhava um motor mais potente em 1978. É a mesma do irmão Silver Shadow (conheça) que era muito mais moderna. Agora o V8, que tinha válvulas no cabeçote e comando lateral, passa a ter 6.750 cm³. A potência, nunca declarada, porém estimada em 300 cavalos, estava maior e sua velocidade máxima passava a 180 Km/h.  

Por dentro era muito luxuoso seguindo a tradição da mais famosa fábrica de automóveis inglesa. Com muito conforto para os seis passageiros, o revestimento dos bancos, era em couro Conolly e o acabamento irreprochável. A bordo tinham a disposição telefone, bar, ar condicionado, mesinhas, etc... Não faltavam os bancos rebatíveis dos seguranças a frente da poltrona dos monarcas. O feliz condutor tinha um painel completo a disposição.

De 1968 a 1992 foram produzidos 373 exemplares. Alguns estão estacionados no Palácio de Buckingham e outros devem estar em Hong Kong onde tem a maior concentração de Rolls-Royce per capita no mundo.  

Em 1998 foi lançada a penúltima versão do Phanton que não tem nada de tradicional e clássico. Ao contrário, muita tecnologia.

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Nas telas

Em 1964 estrelou nas telas dos cinemas o filme The Yellow Rolls-Royce. Era um drama que reuniu atores de quilate como Shirley MacLaine, Jeanne Moreau, Ingrid Bergman Rex Harrison, George C. Scott, Omar Sharif, e Alain Delon. A fita se divide em três estórias, em épocas diferentes, mas sempre com a presença de um Rolls Royce que tinha a lateral amarela e os para-lamas, capô, e portas malas e capota preta. Era um modelo  Phantom II Sedanca de Ville de 1930. A parte destinada ao motorista e acompanhante era separado da parte dos passageiros. Tinha volante do lado esquerdo e faróis auxiliares logo a frente do para-brisa. Um belo carro. Infelizmente é um DVD raro nas locadoras.

Em 007, James Bond, apareceu em vários filmes. Foram eles: Um Rolls-Royce 1937 Phantom III em Goldfinger (acima) em 1964. Depois um Rolls-Royce Phantom IV 1954 em A Serviço de sua Majestade em 1970.

Na década de 80 em Octopussy, filme de 1983 um Rolls-Royce Phantom II  1934.

Em 1989, Licença para Matar, um Rolls-Royce Phantom V Mulliner Park Ward Limousine 1959. São filmes com belos carros e belos Rolls.

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Nas Exposições

No famoso concurso de elegância de Pebble Beach sempre há a presença dos Phanton. E existe uma categoria só para os Rolls Royce. Em 1999 três Phanton foram premiados. Um Rolls-Royce Phanton I Brewster Derby de 1929, um Phantom I Hibbard & Darrin do mesmo ano e Phantom II Brewster Croydon de 1931. Na foto um modelo Rolls-Royce Wraith BlackBadge no Concurso Chantilly Arts & Elegance Richard Mille em 2019

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Em escala


Atualmente não existem muitos Rolls em miniaturas. Nem em décadas anteriores foram muito produzidos. A Matchbox inglesa, porém nunca esqueceu de reduzir seus automóveis britânicos. Fez, no princípio da década de 60, o Phanton V na cor rosa claro metálico, bancos brancos e rodinhas cinzas. Media por volta de 70 mm. Correto!

Abaixo um modelo Phanton V da Dinky Toys na escala 1/43

A Sólido Francesa, em seu catálogo de 1978-1979, produziu, na escala 1/43, o Phanton III de 1939. Os para-lamas e estribos na cor azul e o resto da carroceria na cor prata. O bonito conversível tem a capota de lona preta. Os cromados estão corretos. Uma bela miniatura. Coleção Age D’Or.  

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A oitava geração

Trata-se oitava geração lançada em 2018 sendo produzida em Goodwood. Tem um motor V12 com 6592 cm³ e 571 cavalos a 5.000 rpm.Seu torque é de 90,00  mkgf  a 1.700 rpm. Tem tração traseira, oito marchas automáticas, câmbio marca ZF, faz de 0 a 100 km/h em 5,3 segundos e sua velocidade máxima é de 250 km/h. Pesas 2.550 quilos e usa pneus 255/50R19.

Em detalhes o luxo predominante como é comum a marca

Texto, fotos e montagem Francis Castaings  - Fotos de divulgação Rolles-Royce                                

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