Tradição e Refinamento

A Rover Co. Ltd foi fundada em 1877, por Foi fundada por John Kemp Starley e William Sutton  com o objetivo de produzir bicicletas. A cidade de Coventry, na Inglaterra, nestes tempos, era a terra natal das indústrias que fabricavam veículos sobre rodas. No ano seguinte, a Rover, de forma experimental, já construía triciclos elétricos.

Em 1903 nascia a primeira motocicleta com motor a gasolina. E no ano seguinte, o primeiro automóvel. Tinha um chassi central, um motor monocilíndrico de 1,3 litros e chegava a uma velocidade final de 40 km/h. Três anos depois, em 1906, já tinha um modelo de 4 cilindros que havia ganho, na ilha de Man, o famoso Tourist Trophy. 

Como todas as indústrias europeias no pós-guerra, a inglesa voltava a fabricar os modelos de 1939, já um tanto antiquados, mesmo naqueles tempos.

Porém, em 1948, em Solihull, começaram a ser produzido os modelos 60, com 4 cilindros e 1.595 cm³ e o modelo 75 com motor de 6 cilindros em linha que tinha cilindradas de 1.997, 2.103 e 2.500 cm³. Tinham novos chassis, freios hidráulicos e suspensão independente. Eram conhecidos como P3.

O ano de 1948 foi marcado pelo primeiro Salão Londrino depois da Segunda Grande Guerra Mundial. Com poucas novidade na Rover, as carrocerias sofriam apenas pequenas mudanças.

Mas já estava em andamento um projeto de um modelo com forte inspiração no americano Studebaker Champion, criado por Raymond Loewy . A empresa havia importado dois automóveis que foram estudados e desmontados. Um deles, com algumas modificações, foi montado num chassi de um modelo 75 P3. Suas dimensões eram muito semelhantes.

No salão inglês de 1949, o público conhece o novo Rover 75, cujo código interno era P4 sendo que esta designação caiu na preferência dos britânicos. Ele seria produzido em Cowley, perto de Oxford já que as instalações de Solihull estavam por conta da montagem do Land Rover. Nestes tempos de retomada de crescimento, o aço estava com outras prioridades. Sendo assim, o capô, a tampa do porta malas e as portas eram feitas em liga de alumínio.

O modelo era um três volumes, com traseira em queda e frente “ponton” bem comum na época. Com linhas bem arredondadas, tinha quatro portas sendo que as traseiras tinham abertura suicida. Na coluna entre as duas, havia setas direcionais, as famosas bananinhas.

O inusitado estava na parte dianteira. Tinha três faróis redondos, sendo que um central no meio da grade quadrada com frisos horizontais. Ganhou logo o apelido de ciclope. E não era injusto. Causava muita estranheza. Uma pena pois de perfil era um carro muito elegante, bonito e ao mesmo tempo discreto. Media 4,54 metros.

Por dentro mantinha a classe, discrição e a sofisticação britânica. Bancos confortáveis, em couro, tapetes espessos, madeira no painel e nas forrações de portas, lâmpadas de iluminação no porta-luvas, no porta malas e para os ocupantes que iam com muito conforto atrás. Se não fosse usado o descansa braço, três viajavam com conforto e também o mesmo numero na frente já que a alavanca de marchas estava na coluna.

Seu motor, dianteiro, tinha seis cilindros em linha com deslocamento volumétrico de 2.103 cm³ e era alimentado por dois carburadores SU. Sua potência era de 74 cavalos a 4.200 rpm. A caixa de quatro marchas era oferecida com roda livre ou sobre marcha. A tração era traseira. A velocidade final era de 132 km/h.

Os freios dianteiros tinham assistência parcial hidráulica e os de trás, acionados por cabos. Um de seus concorrentes diretos era o Citroën Traction 15, também com seis cilindros.

A primeira modificação de carroceria se dá em 1952. Com a retirada do farol central e a grade remodelada, com frisos verticais, a frente ficou atraente. Como era moda e tradição na Inglaterra, a nova grade do radiador, quase quadrada, como nos RR, Bentley e Jaguar, lhe caiu muito bem.

Em 1950, a Rover, uma das pioneiras nas pesquisas sobre turbina, faz o Jet1 ou T3. Seria o terceiro protótipo. Tratava-se de um P4 “roadster” com duas portas, com carroceria de fibra de vidro e um para-brisas baixíssimo. Tinha tração nas quatro rodas e o motor com duplo comando de válvulas desenvolvia uma potência de 110 cavalos. Chegava a velocidade máxima de 177 km/h. Pouco tempo depois, numa versão mais potente, com 230 cavalos, chegou, numa auto estrada da Bélgica, a 245,73 km/h. Este carro hoje está exposto no Museu de Ciência de Londres. E serviu de inspiração para que um pequeno construtor fabricasse um simpático roadster em pequena escala.

Em 1954 a gama de motores estava bem maior. Denominada P4 MK II , começava com um 4 cilindros em linha, 1.997 cm³ e 60 cavalos. Era o modelo 60. Logo a seguir vinha o modelo 75 com 75 cavalos, seis cilindros e 2.103 cm³. E topo de linha, o modelo 90 com seis cilindros em linha também, 93 cavalos a 4.500 rpm e velocidade final de 146 km/h. Este tinha 4 freios tambor e seus pneus tinham a medida 6,00 x 15. Sua suspensão dianteira tinha rodas independentes, molas helicoidais e amortecedores telescópicos. Atrás eixo rígido com molas e amortecedores com a mesma configuração dianteira

Por dentro o painel com instrumentação retangular cedia lugar ao com mostradores redondos. Bem mais modernos e bonitos era bem completo. A alavanca de marchas estava mais longa e posicionada mais a frente para não incomodar um possível terceiro passageiro. O mais interessante era um gavetinha, abaixo da tampa do porta-luvas, que continha um pequeno jogo de ferramentas práticas. Genial e charmoso.

Um ano depois sofre uma grande mudança de estilo. Todo o terceiro volume, foi modificado. A traseira estava mais alta e mais de acordo com o restante das linhas da carroceria. O porta malas que já era bom, ganhou mais volume. O vidro traseiro também estava maior. Quem conduziu este trabalho foi David Bache. Também fez pequenas mudanças na dianteira. E foi feliz. 

Em 1957 ganhava motores mais possantes nas versões 105 S e 105 R. Tinha agora 2.625 cm³ e 105 cavalos. Sua velocidade final era de 160 km/h. A versão S, com dois carburadores SU, tinha caixa mecânica com 4 velocidade, toda sincronizada, com sobremarcha e a R, com só um carburador, caixa automática “Roverdrive” de 2 velocidades mais sobremarcha que entrava em ação a partir dos 48 km/h com conversor de torque. Mas era muito lenta e não perdurou muito.

Em 1960 ganhava freios Girling a disco na dianteira. E também um novo motor 6 cilindros com 123 cavalos e virabrequim com setes mancais. Chegava aos 165 km/h e o 0 a 100 km/h eram feitos em 14 segundos. Por questões de custo, as portas e capô passaram a ser feitos em chapas de aço estampado. Seu peso era de 1.590 quilos. Seus concorrentes em 1962 eram o Citroën DS 19, o Simca Chambord, o Austin A99 Westminster, o Jaguar MK II, o Mercedes 220 S e o Opel Kapitãn.

Em maio de 1964, após 130.500 unidades produzidas, o P4 saia de produção. Junto com o Land impulsionou a Rover no pós guerra. Em 2004 a Rover completou 100 anos produzindo carros. E é a única empresa de automóveis em série, totalmente inglesa restante.

Texto, fotos de capa e montagem Francis Castaings. Demais fotos de divulgação

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