O Esportivo de Rudolf Leiding

O mais belo dos Volkswagen

O engenheiro alemão Rudolf Leiding que presidiu a Volkswagen Brasil foi ousado. Em julho de 1968, Leiding deixou de Ingolstadt (Alemanha),  onde ficava a sede da Auto Union para assumir a presidência da Volkswagen do Brasil. Lá ele foi responsável pelo lançamento do Audi 100 e depois do belo esportivo Audi 100 cupê. Baseado no Audi 100 a Volkswagen inovou sua linha com o sedã K70 (saiba mais) e baseado neste o Passat (saiba mais). Ele presidiu o grupo aqui entre 1969 e 1973 e após este período passou a ser o diretor executivo mundial do grupo. O Doutor Rudolf, como era chamado, tinha ótimas ideias e com punho forte deu aval e liberdade ao departamento de estilo de São Bernardo do Campo para criar novos modelos para o mercado brasileiro baseado nas plataformas dos modelo Variant e TL . Graças a Rudolf Leiding, durante sua gestão aqui, houve um aumento de 50% na produção brasileira de automóveis.                  

Os designers brasileiros José Vicente Novita Martins (Jota) e Marcio Lima Piancastelli responsável pelo estilo da Brasília (conheça) , começaram a esboçar um novo modelo esportivo. Seria o segundo modelo esportivo da marca após o Karmann-Ghia e o primeiro projetado no Brasil. Nascia o projeto X. Vários desenhos na prancheta elaboraram as linhas iniciais e foram feitos modelos em escala em argila. Havia um modelo sem o teto central, como um Porsche 911 Targa e seu vidro traseiro lembrava o esportivo inglês Jensen Interceptor e o também esportivo nacional Brasinca Uirapuru. 

Os esportivos SP-1 e SP-2 foram fabricados exclusivamente no Brasil, mas foi cogitado para ser fabricado na Alemanha. Este esguio modelo foi lançado em junho de 1972 com mecânica e tração traseira. A sigla SP era em homenagem à cidade de São Paulo. Sua carroceria  tinha 4,21 metros de comprimento, 2,4 de entre-eixos, largura de 1,61 e altura 1,15 metros. Baixo como a maioria dos esportivos! Pesava 890 quilos. Tinha suspensão dianteira tipo McPherson com braços transversais, molas helicoidais, amortecedores telescópicos e barra estabilizadora. Atrás tinha semi-eixos oscilantes, barras de torção e amortecedores telescópicos. Seus freios dianteiros eram a disco e traseiros a tambor com duplo circuito hidráulico. Atrás era visível uma grade que protegia o motor e no lado esquerdo ficava o escapamento.

Em abril de 1972 o Karmann-Ghia 1600 deixava as linhas de montagem favorecendo as vendas do TC.

Este é um belo e raro exemplar do Volkswagen SP-1. Não fez o sucesso esperado, pois seu motor era muito aquém do esperado. Tinha o mesmo motor da Variant e do Tl.

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O motor traseiro com bloco e cabeçote em ferro fundido tinha quatro cilindros opostos, em posição horizontal, com 1.584 cm³ e 66 cavalos a 4.600 rpm com torque de 12 mkg.f e alimentado por um carburador de corpo simples da marca Solex. A produção do SP-1 foram de 88 carros fabricados entre 1972 a 1973. Sua demanda era muito baixa e são raros os modelos fotografados nesta matéria.

A carroceria em aço estampado era produzida pela Karmann, empresa responsável pelo modelo Ghia, fabricado aqui e na Alemanha. Lá já tinha parceria com a empresa desde os anos 50. Não tinha um grande leque de cores, mas atendia. Havia o branco, prata, azul claro e escuro, amarelo, vermelho, bordô e marrom. O SP-1 se distinguia do SP-2 na parte externa principalmente pelos frisos laterais pretos. A frente de ambos era baseada no modelo alemão Volkswagen 412E e foi aplicada aqui também na Variant e no TL que tinham o mesmo grupo óptico.

Seu desenho era muito bonito, original, moderno e com linhas muito aerodinâmicas. Era um carro para dois ocupantes com conforto e havia dois porta-malas.Visto de lado era notável suas maçanetas embutidas, belas entradas de ar atrás do pequeno vidro traseiro que basculava e frente com linhas descendentes. Tanto na frente quanto atrás sobre o motor acomodava pequenas bagagens e a abertura do capô e da porta traseira tinham ótimo acesso!

Por dentro era muito bonito também e bem equipado! Havia um console entre os bancos, estes em formato de concha, anatômicos,  que eram em courvin (couro como opcional) , alavanca de marchas com ótima pega, boa posição de dirigir, volante de três raios com diâmetro adequado e sua instrumentação era digna de um esportivo: velocímetro graduado até 200 km/h,com odômetro parcial e total, conta-giros com marcação até 6.000 rpm sendo que a faixa vermelha começava aos 5.000 rpm, marcador de combustível (tanque com capacidade de 40 litros), relógio de horas, amperímetro e termômetro. No SP-1 não havia o útil amperímetro e o termômetro de óleo. Como itens de conforto havia ventilador com duas velocidades de série, tapete de buclê em nylon, luzes de leitura, rádio AM-FM, um pequeno porta-luvas e alça de apoio para o passageiro na coluna A. Um problema, mesmo com a ventilação era a temperatura dentro do carro em dias de calor. Seu maior concorrente era o Puma GT (Leia).

Era um carro caro! Seu preço estava acima do Puma com motor VW, o mesmo que um Chevrolet  Opala Caravan seis cilindros ou Opala SS-4, que um Maverick Super Luxo, pouco abaixo de um Dodge Dart SE, mas era mais em conta que um MP-Lafer que, como o Puma, era um carro de produção pequena. Da linha Volkswagen em 1975 era o mais caro!

O motor do SP-2, preparado na fábrica, tinha 1.678 cm³, virabrequim com quatro mancais e 75 cavalos a 5.000 rpm. Mantinha o cambio de quatro marchas, tração traseira e a relação do diferencial era mais longa. Em testes na época fez de 0 a 100 km/h em 17 segundos e sua velocidade máxima era de 153 km/h. Era alimentado por dois carburadores de corpo simples Solex 32 PHN e sua taxa de compressão era de 7,5:1. Tinha belas rodas em aço estampado, com calota central e usava pneus radiais 155 SR 15. Arrancava com fôlego, ótimo em primeira e segunda, mas ao passar a terceira caia muito de giro!

E em 1975 o Karmann-Ghia TC 1600 saia da linha de produção deixando o SP-2 como único no segmento de esportivos  com motor traseiro na Volkswagen.

Terminou sua carreira em 1976 após 10.205 unidades produzidas sendo que 670 foram exportados para a Europa. E alguns muito bem cuidados até hoje!  Um exemplar em belo estado está no Auto Museum Volkswagen em Wolfsburg, região da baixa Saxônia, Alemanha. Junto está uma Volkswagen 1600 quatro, a última Kombi fabricada aqui, o último Fusca e uma VW Brasília.

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O SP-3

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Infelizmente não passou de um protótipo, pois os custos de fabricação seriam elevados. Mas se chegasse às ruas seria um dos carros mais rápidos nacionais na época. Tinha a mesma carroceria, mas com frente diferente. Sua grade com frisos horizontais era preta, para-choques da mesma cor, não tinha as entradas de ar atrás, apenas aletas de refrigeração e ausência de cromados. Era um modelo mais agressivo. Rodas de aro 13 com sobre aro e pneus na mediada 155/70 SR 13. Por dentro bancos e instrumentos oriundos dos Porsche fornecidos pela empresa paulista Dacon que já fazia belos trabalhos nos Fuscas e Brasília.

Seria equipado com o motor do AP (alta performance) do Passat TS, arrefecido a água, 1,6 litros com 96 cavalos, taxa de compressão de 8,5:1 e dupla carburação preparada.  O novo motor ficava também na traseira. Já o radiador ficava na frente,  junto da ventoinha, e a ligação com o motor se fazia por um tubo central apoiado sobre o mesmo chassi plataforma VW. Se fosse fabricado seria uma bala de alto calibre!

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O Ventura

O Ventura também usava vários componentes do SP-2.                                             

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A carroceria em plástico reforçado com fibra de vidro do Ventura foi moldada sobre a carroceria do SP-2. Sua mecânica era a mesma do SP-1 no que se refere a motor,caixa e suspensão. Foi apresentado no Salão do Automóvel em São Paulo em 1978 e foi produzido até 1988 pela L'Automobile a mesma que fabricou a réplica do Alfa Romeo 8C 2300 Monza 1931 também com motor traseiro arrefecido à ar.

Usava várias peças de outros modelos nacionais produzidos em série: O volante esportivo da marca Phanter, os faróis eram do Dodge 1800 Polara e as lanternas traseiras e as  maçanetas embutidas do Alfa Romeo 2300. Tinha 4,14 metros de comprimento., largura de 1,63 e altura de 1,18 metros. Usava pneus 185/70 HR 14 mais do que suficientes para seu desempenho. Seu acabamento era muito bom, luxuoso por dentro, muita instrumentação e ótimos bancos reclináveis em couro. Foi exportado para a Argentina, Paraguai e em kits para os Estados Unidos. Seu preço na época era equivalente a três Volkswagen sedã. Em 1983 ganhou os faróis do Passat Pointer e lanternas do Corcel II.  Um diferencial era, na sua versão mais luxuosa, tinha o motor Passat TS na traseira e em 1988 usou o motor 2.000 do VW Santana no Ventura II em 1988 ano em que a fábrica encerrou as atividades . Tinha como concorrentes na década de 80o Squalo, o Lorena, o Sharck, o Miura, o Bianco, o Tarpan, o Malzoni GT (Não confundir com Malzoni DKW), o Adamo e o Envemo Super 90 (réplica do Porsche 356) que tinham a mesma mecânica Volkswagen arrefecida à ar do Ventura.                                        

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Vários modelos bonitos do SP-2

Em Escala

A Hot Wheels fez três modelos na escala 1/64 sendo que duas em séries especiais.

Na coleção Carros Inesquecíveis do Brasil um modelo vermelho muito bem acabado na escala 1/43 na cor vermelha.E também na coleção Carros Brasileiros 2 vendidas em bancas de jornal um modelo prata na escala 1/43.

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Texto, fotos e montagem Francis Castaings

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