BMW M1: Um esportivo da Baviera para as competições

BMW M1: Um esportivo da Baviera para as competições

O BMW M1 (código de fábrica do modelo E26) foi um carro esportivo com motor central produzido pela fabricante alemã BMW (Bayerische Motoren Werke AG ) entre 1978 e 1981. A carroceria era montada pela empresa BAUR  em Stuttgart. Apenas 477 modelos foram produzidos neste período e são muito raros na América Latina. A letra “M“ vinha de Motorsport, a empresa responsável pelos BMW de preparação refinada desde a década de 70.

No final dos anos 1970, a fabricante de automóveis italiana Lamborghini entrou em um acordo com a BMW para construir um carro de corrida de produção em quantidade suficiente para homologação. O carro foi vendido ao público, de 1978 a 1981, mas a maioria foram para as pistas e disputaram o Campeonato IMSA ( International Motor Sports Association) nos Estados Unidos, mas principalmente o Procar para a divulgação do primeiro super carro da marca.

A empresa alemã já tinha ótimo desempenho nas pistas da Europa no Campeonato Europeu de Turismo com seus modelo 325, 3.0 CSL (acima), 530, 635 CSI… mas queria um carro que tivesse condições de disputar também o Mundial de Marcas.

A divisão de automobilismo da BMW chefiada por Jochen Neerpasch estava querendo competir em categorias maiores e enfrentar seu arqui rival Porsche nas corridas do Grupo 5, então o desenvolvimento do M1 foi iniciado. Neerpasch, que chefiava o programa de desenvolvimento, enfatizou que o carro deveria ter motor central para enfrentar seus concorrentes.

Como a BMW não foi capaz de construir 400 exemplares de estrada do carro no período de tempo exigido conforme estipulado pelas regras da FIA (Federação Internacional do Automóvel) , a empresa fez parceria com a Lamborghini para trabalhar os detalhes do chassi do carro, montar protótipos e fabricar os veículos.

O chassi tubular de aço especial foi obra do engenheiro italiano  Gianpaolo Dallara, mas logo a situação financeira delicada da Lamborghini e a possibilidade de produção do carro pelo fabricante italiano tornaram-se difíceis. Então a BMW reassumiu o controle do projeto em abril de 1978, após sete protótipos terem sido construídos. O atraso na produção e as mudanças nas regras do Grupo 5 forçaram a empresa a competir no Grupo 4 com o carro.

A carroceria de em plástico reforçado com fibra de vidro foi projetada por Giorgetto Giugiaro, inspirando-se no carro-conceito BMW de 1972, muito bonito, com linhas arrojadas, com o nome de BMW Turbo desenhado pelo francês Paul Bracq

Como a engenharia do carro ainda estava incompleta, um grupo de ex-engenheiros da Lamborghini fundou uma empresa chamada Italengineering que se ofereceu para completar o projeto do carro. Tinha 4,35 metros de comprimento, 2,45 de entre-eixos, 1,83 de largura, 1,14 de altura e pesava 1.300 quilos. A grande porta que acesso ao motor e ao pequeno porta-malas posterior, com o pneu estepe junto, tinha uma persiana, bem ao estilo Lamborghini Miura que ocultava o vidro traseiro. Os faróis escamoteáveis e as linhas retas e angulosas eram modernas e muito atraentes. Uma marca de Giorgetto Giugiaro!

Seu propulsor, oriundo do BMW 635 CSi , tinha de seis cilindros em linha, montado em posição longitudinal traseira com 3.453 cm³ com injeção mecânica indireta Kugelfischer-Bosch e sistema de ignição Magneti-Marelli desenvolvido por Paul Rosche. Tinha dois comandos de válvulas no cabeçote, em liga de alumínio , quatro válvulas por cilindro e gerava uma potência de 277 cavalos a 6.500 rpm. Seu torque era de 33,6 mkg.f a 5.000 rpm na versão de estrada, possibilitando uma velocidade máxima de 260 km/h. Era o primeiro BMW a ter duplo comando de válvulas. Seu tanque tinha capacidade para 116 litros.

Por dentro era restrito a duas pessoas. Tinha ótimo painel muito bem equipado. Tinha conta-giros graduado a 9.000 rpm com a zona vermelha começando a 6.800 rpm e seu velocímetro era graduado a 280 km/h. Ainda contava com marcador de pressão do óleo, temperatura do motor e amperímetro. Seus bancos apesar de estreitos eram confortáveis. Não tinha direção com assistência.

O motor foi acoplado a uma transmissão manual de cinco velocidades feita pela ZF Friedrichshafen equipada com um diferencial de deslizamento limitado (caixa transaxle) .

Era o capaz de fazer de 0 a 100 km/h em 5,4 segundos, completar o quarto-de-milha em 13,8 s e atingir a velocidade máxima de 260 km/h. Para as pistas, o carro do Grupo 4 (com cilindrada maior, 3.498 cm³) chegava a 470 cavalos e tinha o peso aliviado para 1.020 kg. Chegava a 100 km/h em apenas 4,5 segundos e alcançava 310 km/h de velocidade máxima. Abaixo um BMW M1 Procar 1979. 

Mais, o modelo do preparado para o Grupo 5, com motor de 3,2 litros, turbocompressor e impressionantes 850 cavalos.   Todos os modelos tinham diferencial autoblocante, rodas de 8 x 16 polegadas, com pneus dianteiros na medida 205/55 VR 15 e traseiros 225/50 VR16.Vinha em belas rodas de liga com um desenho muito original.

Tinha chassi tubular (treliça) apropriado para competição e sua suspensão era independente nas quatro rodas, com braços triangulares transversais sobrepostos (double wishbone) e amortecedores pressurizados, assim como freios a disco ventilados de bom diâmetro nas quatro rodas. Ainda molas helicoidais e amortecedores hidráulicos. Os apêndices aerodinâmicos nesta preparação eram necessários e permitidos. Abaixo um BMW M1 Grupo V 1979

Nas ruas ou pistas chamava muita atenção por sua beleza ímpar. É um frequentador assíduo das corridas de Veículos Históricos de Competição (VHC) na categoria Classic Endurance Racing onde compete com Porsche 910 e 917, Ferrari 512, o Lola T70, o Ford GT40, Alfa Romeo T33/3, etc. Com estes estão também Ligier JS2, Porsche 935 e o De Tomaso Pantera.

Cerca de 60 unidades foram para as pistas. As “civis” foram aproveitar as ótimas estradas e auto-estradas da Europa. Já é um grande clássico da marca alemã .


Protótipo I8 Hibrído. 

A BMW colocou em exposição o I8 ainda no final de 2013. Ele estava equipado com um motor de três cilindros e outro elétrico e juntos despejam 354 cavalos suficientes para empurrar o carro de 1.480 quilos. A promessa é de 0 a 100 km/h em 4,5 segundos e velocidade final limitada à 250 km/h. O consumo médio é de 33 km/l. Tinha suas linhas inspiradas no M1.

A BMW anunciou o encerramento da produção do esportivo i8, tanto na versão Coupé, quanto na Roadster. O modelo, que foi o primeiro híbrido da montadora alemã, foi lançado em 2014. Ao longo de seis anos, o carro teve 20 mil unidades vendidas.

O lançamento oficial foi em 2013, no Salão do Automóvel de Frankfurt. O lançamento do i8, ao lado do elétrico i3, era o sinal de uma nova empreitada da montadora alemã: os carros elétricos e híbridos.


O sucessor

Abaixo um BMW 850 CI ano 1994/95. Tinha motor V12, 48 válvulas com a preparação M, perto de 500 cavalos e elementos da carroceria em Kevlar. Este motor serviu de base para o Mclaren F1, que foi um dos supercarros dos anos 90, com 6,1 litros e 627 cavalos


PROCAR

No ano de 1979 um fato muito interessante foi o campeonato PROCAR disputado por vários pilotos de Fórmula Um todos a bordo do BMW M1. Os carros eram estritamente idênticos e Niki Lauda ganhou em 1979 e Nelson Piquet em 1980. Levaram o título fazendo muita gente ficar tímida.

Um cronograma anunciado para a temporada inaugural do Campeonato Procar apresentava eventos que aconteciam de maio a setembro, quando o Campeonato Mundial de Fórmula Um realizou oito Grandes Prêmios consecutivos na Europa. Um nono evento foi agendado em Donington Park como parte do Gunnar Nilsson Memorial Trophy, um evento de caridade para o Gunnar Nilsson Cancer Found (Fundação Gunnar Nilsson contra o câncer.

Vários pilotos de Fórmula Um ganharam lugares na equipe de fábrica ao longo da temporada com base em seu desempenho nos treinos de Fórmula 1. Entre eles estavam Mario Andretti, Patrick Depailler, Emerson Fittipaldi, James Hunt, Jean-Pierre Jarier, Alan Jones, Jacques Laffite, Niki Lauda, ​​Nelson Piquet, Didier Pironi, Carlos Reutemann, Clay Regazzoni e John Watson. Teo Fabi, Tiff Needell, Hans-Georg Bürger e Michael Bleekemolen também foram convidados a dirigir os carros BMW de fábrica, embora não fossem pilotos de Fórmula Um na época. Além da entrada padrão de cinco carros da BMW, várias outras equipes notáveis ​​participaram.

Houve também a temporada de 1980 sem grandes mudanças. Mas ajudou a publicidade do esportivo da BMW.



Texto, fotos e montagem Francis Castaings.

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