Gurgel linha G400/800: Nascido elétrico, mas terminou térmico

Gurgel linha G400/800: Nascido elétrico, mas terminou térmico

Em 1974 a Gurgel apresenta um pioneiro projeto de carro elétrico ao público. Era bastante interessante. Tinha ótima área envidraçada, quatro faróis quadrados na dianteira, um limpador sobre o enorme para-brisas que tinha a mesma inclinação do capô dianteiro. Visto de lado, era um trapézio sobre rodas. Era um mini carro de uso exclusivamente urbano para duas pessoas, fácil de dirigir e manobrar que usava baterias recarregáveis. Em qualquer tomada de luz, como um eletrodoméstico. Um dos modelos elétricos ia se chamar CENA(carro elétrico nacional) mas deu problema o nome por causa da semelhança no som com o nome do nosso famoso piloto. O problema de durabilidade e peso das baterias, consumo e autonomia é até hoje é um desafio. Infelizmente o projeto não vingou mesmo depois de várias tentativas de seu criador para conseguir parcerias em financiamentos, incentivos e pesquisas . Mas deu origem a outros.

Depois de cinco anos de estudo, outro veículo de tração elétrica, o Itaipu E400, vai para os primeiros testes. Tratava-se de um monovolume, um furgão com designer moderno, bem mais amigável que o X15. Sua frente era bem curva, muito aerodinâmica. Tinha um amplo para-brisas, grade/para-choque largo com faróis embutidos e imenso logotipo da marca. Nas laterais havia somente os vidros das portas, com quebra-ventos, para os dois passageiros e o resto era fechado. O painel era equipado com velocímetro, voltímetro, amperímetro e uma luz espia que indicava quando a carga estava por acabar.

As baterias eram muito grandes e pesadas, cada uma delas com 80 quilos, e carga de 40 volts cada uma. O motor elétrico era um Villares de 8 KW (11 cavalos) a 3000 rpm. A autonomia era pequena, de apenas 80 quilômetros. Mas o consumo, se comparado a um carro a gasolina, seria de 1 litro a cada 90 quilômetros. Tinha cambio de quatro marchas, embreagem e transmissão. Para recarregar eram necessárias em média 7 horas numa tomada de 220 volts. Devido a este detalhe importante era um veículo estritamente urbano. A velocidade máxima estava por volta dos 80 km/h no maior silêncio. Está aliás é uma das grandes vantagens de um carro elétrico. Não poluir com gases nem com barulho. Primeiramente foi vendido a empresas para testes. Depois da versão Furgão vieram a picape simples e dupla e o E400 para passageiros.

O E400 CD (cabine dupla) era um misto de veículo de carga e passageiros. Foi lançado em 1983.  Com esta mesma carroceria foi lançado também com motor de combustão interna VW a ar com dupla carburação só que tinha a denominação G400. Trazia a mesma robustez e muito espaço interno para passageiros. Na versão CD havia um detalhe no mínimo curioso. Tinha três portas, duas na direita e a outra na esquerda para o motorista. Do mesmo lado, atrás, vinha um enorme vidro lateral. Ganhava o passageiro que sentasse deste lado que tinha um bom visual. Pesava 1.060 quilos e podia carregar mais 1100. O tanque de combustível tinha capacidade para 80 litros.

A Gurgel fechou as portas em 1994. Sem dúvida o grande engenheiro, revolucionário e teimoso Gurgel deixou seu legado na indústria nacional. Ele foi um homem antes do seu tempo, corajoso e brasileiro. Infelizmente as enormes dívidas contraídas, as importações abertas no país e a inevitável globalização pôs fim a seus projetos e a seus sonhos. João Augusto do Amaral Gurgel faleceu em janeiro de 2009.



Texto, fotos e montagem Francis Castaings.

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