MG-B: O Roadster Pop. Fez 60 anos em 2022

MG-B: O Roadster Pop. Fez 60 anos em 2022

A Morris Garage nasceu em 1923 na cidade de Oxford, na Inglaterra. Nela trabalhava Cecil Kimber, que mais tarde, em 1929, começava a produção em série de automóveis de duas portas e carroceria aberta: o MG, que se tornaria conhecido nos quatro cantos do mundo pela agilidade, leveza e simplicidade. Em 1933 o famoso e espetacular piloto italiano Tazio Nuvolari ganharia, a bordo de um modelo da marca, a famosa corrida Tourist Trophy na Ilha de Man, na Inglaterra.

No principio dos anos 60, os Beatles começavam a estourar nas paradas de sucesso das rádios britânicas e de todo o mundo. Os ingleses lançavam moda. E os jovens queriam muito mais ar e liberdade. Gostavam de conversíveis. A BMC – British Motor Corporation, que controlava a maior parte das fábricas de automóveis na Grã-Bretanha, aproveitava a onda e lançava o pequeno esportivo MG B no Salão de Londres de 1962. Substituía o também esportivo MG A, já envelhecido.

Tinha linhas arredondadas, originárias da casa italiana Pininfarina, o roadster era atraente. Pequenino, media 3,89 metros de comprimento, 1,25 de altura e pesava apenas 870 kg. Passava a impressão de ser frágil, pois tinha uma carroceria baixa com um para-brisa que parecia estar cravado nela, um vidro estreito, baixo e com um reforço central cromado. A peça dava um certo charme. Os ocupantes, apenas dois, se de maior estatura sentiam-se um pouco desprotegidos. Quando necessário, era colocada a capota desmontável.

As rodas raiadas de cubo rápido, opcionais, e retrovisores cônicos completavam o aspecto esportivo. Não faltavam cromados nas laterais, molduras de farol, grade e para-choques para enfeitar a carroceria. O porta-malas, que abrigava também o estepe, comportava poucas bagagens, como é comum nos roadsters. Detalhe curioso era a presença de um martelinho de borracha, que servia para ajudar a desapertar o parafuso central da roda. Como opcional havia um bagageiro cromado para ser fixado sobre o compartimento.

Por dentro a posição de dirigir não era das melhores. Havia lugar para pernas mais longas, mas o volante com aro de baquelita e três raios com fios metálicos não estava muito distante do tórax. Caso a capota estivesse montada, algum contorcionismo era necessário. Era melhor entrar escorregando. Mas o prazer era estar sem ela e com os vidros das portas levantados. O painel, todo preto, tinha ao centro os grandes conta-giros e velocímetro. Ao lado, os pequenos relógio, marcador de temperatura e do nível de gasolina. No console, a grande alavanca de marchas, e à frente dele, uma ampla tela cromada do alto-falante do rádio. Era um carrinho ótimo para um casal “fugir” no fim de semana, um esportivo acessível para o público jovem que não tinha grande poder aquisitivo.

Seu motor dianteiro, de quatro cilindros em linha, tinha 1.798 cm³ e 95 cavalos a 5.400 rpm. O câmbio de quatro marchas não tinha primeira sincronizada e tinha sobremarcha, Overdrive,  opcional. A alimentação ficava por conta de dois carburadores da marca inglesa SU e a tração, como se exige de um roadster, era traseira. Devido ao pouco peso e a um propulsor ágil, chegava aos 100 km/h em apenas 11,5 s e à velocidade máxima de 170 km/h. Muito bom para o início dos anos 60. O tanque de gasolina de 54,5 litros permitia bons percursos com o consumo médio de 9 km/l. Os freios, a disco na dianteira, eram da marca Lockheed, e os pneus 5,60 x 14. Embora estreitos como os do Fusca, o comportamento era muito bom em curvas, chegando a ser sobresterçante (saindo de traseira), bem ao gosto dos mais habilidosos. Nas retas não sofria com ventos laterais e era muito firme.

No verão de 1963 chegava a bem-vinda capota dobrável e uma hard top (capota rígida) como opcional. Um ano depois o virabrequim passava a ter cinco mancais  no lugar de três, para funcionamento mais suave e equilibrado do motor, e o radiador de óleo passava a ser item de série. Seus concorrentes eram o Peugeot 404 Cabriolet, o Fiat 124 Spider e, em casa, o Triumph Spitfire. O Austin Healey 3000, o Jaguar E-Type e o Lotus Elan eram conversíveis de outra faixa de preço.

Em  outubro de 1965, também pelo estúdio Pininfarina, vinha a versão cupê GT. Muito harmonioso, o pequeno fastback chamava a atenção pela generosa tampa traseira, em uma tentativa de aliar a esportividade do roadster a uma configuração mais conveniente, prática e segura contra as intempéries.

Dois anos mais tarde, derivado do cupê, era lançado o MG C. Com motor de seis cilindros em linha, não fez muito sucesso e só 9.000 unidades foram fabricadas. O motor era irregular e problemático. Houve algumas experiências em corridas, mas teve sua produção encerrada já em 1969. A caixa de marchas totalmente sincronizada era adotada.

Nesse ano o grupo Leyland assumia a produção. O MG B ganhava grade com fundo preto, novas lanternas traseiras e alterações nos para-choques. Rodas de aço Rostyle se tornavam de série e as raiadas opcionais. No painel havia nova disposição de instrumentos, ficando com estilo mais moderno. Em 1973 o volante já tinha três raios e, assim como o pomo da alavanca de câmbio, recebia acabamento em madeira.

O cupê ganhava versão com motor V8 da Buick, de 3.532 cm³ e 138 cavalos, o mesmo que equipava os Rover P5 desde 1963. Nesta época equipava o sedã 3500, um quatro portas muito bonito. Seu peso aumentava (1.100 kg), apesar de o motor ser leve. A velocidade máxima passava a 195 km/h e os pneus vinham na medida 175/80 HR 14, radiais. Como o seis cilindros, esta versão foi quase totalmente destinada ao mercado americano.

Um ano depois, para atender à rigorosa legislação dos EUA, o MG B recebia enormes para-choques e grade frontal em poliuretano. A traseira também não foi poupada, e o carro ficava mais alto em quatro centímetros. A estética perdia muito, mas como o esportivo sempre teve clientela cativa naquele país, a empresa atendeu às exigências. Em junho de 1975 vinham diversos melhoramentos, como circuito de arrefecimento selado, barra estabilizadora na traseira, novo desenho do conjunto painel/volante e tecidos nos bancos.

Teve sua produção encerrada em outubro de 1980. Para conservá-lo não faltam fabricantes e lojas especializadas na Europa e nos EUA. Foi o carro esporte mais produzido em série no mundo, cerca de 524.000 unidades (350.000 roadsters e 150.000 cupês, até que o Mazda MX5 Miata — seguidor da mesma tendência — o superasse recentemente. Manteve-se durante 18 anos em importantes mercados, honrando a tradição da mais famosa casa britânica de pequenos esportivos.


Nas Telas

No filme 007 Contra o Homem da Pistola de Ouro (The Man with the Golden Gun) vimos o AMC Matador que era o carro do vilão Francisco Scaramanga que participa de uma fantástica perseguição contra James Bond em um AMC Hornet.

Mas antes, a bela sueca Britt Ekland no papel de Mary Goodnight transporta James Bond em seu MG B 1973 pelas ruas de Bangkok na Tailândia.


Nas Pistas

No Tour Auto Optic 2000

No Raid Estrada Real em Minas Gerais em abril de 2016. Saiba maia


Desfile nas ruas

Veja o Classic Festival Nogaro


Em Escala

O principal modelo apresentado é do filme 007. É um MG B do filme O de Homem da Pistola de Ouro, cor amarela, coleção Jamesbondcars na escala 1/43. O outro da última foto é também um MG B Conversível, cor verde, da Dell Prado Collection, escala 1/43.Ambos adquiridos em bancas de revistas.


Texto, fotos e montagem Francis Castaings. Fotos dos carros de corrida são das Organizações Peter Auto e outras publicadas no site

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