O Porsche Nacional

O Porsche Nacional

O Karmann-Ghia TC (Touring Cupê) foi lançado no final de em 1970, como modelo 1971, tinha clara inspiração no Porsche 911 (Saiba Mais) . Mas infelizmente não tinha uma motorização forte como o esportivo alemão. Foi Responsável pelo projeto Wilhelm Schwebe e Alberto Stasiukybas que fizeram modificações no projeto inicial. O alemão Schwebe que participou ativamente em todos os novos desenvolvimentos do pós-guerra realizados na fábrica da Karmann, nomeadamente no Beetle Cabriolet e ainda no Karmann-Ghia entre muitos outros.

Depois de deixar a escola, começou como serralheiro de aço, com um desempenho acima da média, situação que lhe valeu uma promoção para escritório técnico após um ano, tendo aprendido e treinado como desenhista técnico.

Anunciando o fim Karmann-Ghia 1600 no mesmo ano chegava o Karmann-Ghia TC. Com linhas bem mais modernas e clara inspiração no Porsche 911 atraiu muito os olhares. Em 1971 faziam parte da gama Volkswagen o Fusca, a Kombi, o sedã 1600 quatro portas, o TL e a Variant.

Seu projeto também passou pelo crivo da Karmann alemã e da Ghia italiana. Lembrava muito um dos primeiros protótipos, o 695 (acima) , feito pela Porsche na fase pré 911. 

Usava o mesmo motor do VW 1600 TL e da perua Variant. O Boxer “deitado” como era chamado, posicionado atrás do eixo traseiro, tinha também quatro cilindros opostos e 1.584 cm³. Com um pouco mais de performance, este tinha 65 cavalos a 4.600 rpm e era alimentado por dois carburadores de corpo simples. Não era tarefa fácil deixar os dois com a regulagem idêntica. Caso acontecesse, se esta fosse precisa, este carro ficava bem mais esperto. O torque máximo era de 12,0 m.kgf a 3.000 rpm e sua taxa de compressão era de 7,2:1. Usava com tranquilidade a fraca octanagem da gasolina comum daquela época. Fazia 11 km/l e sua velocidade máxima era de 145 km/h.

Caso fosse inserido gasolina azul em seu tanque de 46 litros o comportamento melhorava sensivelmente. Visto de frente seus faróis circulares chamavam a atenção e também as duas falsas grades retangulares subdivididas em três partes. Era apenas um adorno. De perfil, exibia, na parte inferior, curvas nos para-lamas dianteiros e traseiros semelhantes ao seu antecessor. Nos vidros das portas o quebra-ventos estavan presentes e atrapalhava um pouco o perfil.

Sua área envidraçada era ótima e a grande tampa traseira facilitava o acesso a colocação de pequenas bagagens e também ao motor. Para verificar o nível de óleo havia a haste abaixo de umas das grades traseiras. Facilitava muito!

Este era fechado por uma tampa quadrada com um material fono-absorvente de melhor qualidade que os outros carros da linha Volkswagen. Quando exigido o ruído interno não chegava a incomodar tanto. Este fastback media 4,20 metros, 2,40 de entre-eixos, 1,62 de largura e 1,31 de altura. Seu peso era de 920 quilos.

A suspensão dianteira e traseira tinha barras de torção, amortecedores hidráulicos, barra estabilizadora na frente e compensadora atrás. No limite fugia de traseira. Se usasse pneus radiais melhoraria bastante. Mas este esportivo de São Bernardo do Campo não tinha grandes pretensões.  Por dentro pouca coisa mudava em relação a instrumentação do anterior, mas tinha um desenho mais moderno.

Tinha bancos mais modernos na frente, mas atrás ficava muito a dever. Os de trás podiam ser rebatidos e aumentava muito a capacidade de carga. A propaganda anunciava quatro passageiros. Só se fossem de estatura baixa no banco de trás ! O painel simples oferecia velocímetro graduado a 160 km/h, marcador de nível de combustível e relógio de horas.  O TC custava 13 % a mais que o modelo 1600, mas era 36 % mais barato que o Puma GTE. Se o cliente pudesse pagar mais 27 % levava um Dodge Dart cupê para casa. Por quase a mesma quantia, podia-se adquirir um Corcel GT.

O novo Karmann-Ghia TC não era um carro com preço competitivo e não oferecia muito em performance. Tinha um estilo bonito e moderno frente aos outros nacionais. Mas faltava-lhe principalmente um motor mais potente. Na época a Concessionária Dacon em São Paulo fornecia vários kits para o motor. Ia melhorar muito seu desempenho e comportamento se tivesse rodas de liga com pneus radiais, carburadores e escapamentos especiais…Ia ficar muito bom!

Em 1972 a Volkswagen do Brasil lançava o esportivo SP-2 também produzido pela Karmann. Tinha desenho mais moderno, era mais luxuoso e moderno que o TC. Ofuscou sua carreira.  Sem maiores mudanças, o Karmann-Ghia TC deixou as linhas de montagem em 1975 após 18.000 unidades produzidas. E hoje é muito cobiçado!


Em Escala – Miniatura na escala1/43 da Coleção Volkswagen do Brasil. Fotos fornecidas gentilmente pelo colecionador André Luiz Tavares do Vale da cidade mineira de Varginha. Muito bem detalhada! Muito obrigado!


Texto, fotos e montagem Francis Castaings.

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