Berlinetta Boxer: 5 litros e 12 Cilindros

Berlinetta Boxer: 5 litros e 12 Cilindros

A Ferrari Berlinetta Boxer 512 (5,0 litros e Doze Cilindros) foi o primeiro esportivo de Maranello com motor central traseiro. O Dino não tinha o escudo do Cavallino Rampante, símbolo do cavalo preto com fundo amarelo sobre o capô e era equipado com um V6. O BB significa duplo comando de válvulas (Berlinetta Bialbero), mas vários jornalistas interpretaram como Berlinetta Boxer. Seu nome de batismo quando do lançamento em 1973 era 365 GT/4 BB. O protótipo foi apresentado no Salão de Turim, na Itália, em 1971, mas o lançamento foi em Paris, França, em 1973. Abaixo, pouco acima da coluna “B” um pequeno aerofólio que também servia para entrada de ar forçada para o motor.

O primeiro modelo fabricado entre 1973 e 1976 tinha 4.390 cm³, quatro carburadores marca Weber com corpo triplo para os doze cilindros, taxa de compressão de 8,8:1 e potência de 380 cavalos a 7.200 rpm. Seu torque máximo era de 44 m.kg a 3.900 rpm. Sua velocidade máxima era de 302 km/h e 0 a 100 km/h em 5,5 segundos. Nada mal para um carro de 1.445 quilos. Tinha cambio de cinco marchas manual e tração traseira. Na frente ia o radiador, o mecanismo dos faróis retráteis uma caixa de ferramentas e o pneu estepe fino para rodar em emergências. Pouco lugar para bagagens.

Suas medidas eram 4,36 metros de comprimento, altura de 1,12, entre-eixos de 2,50 e 1,80 de largura. Capô dianteiro e para-lamas e uma só peça assim como toda a parte traseira que abrigava o motor.

A carroceria estava apoiada numa estrutura tubular e tubos de seção oval em aço e polyester. Sua carroceria era em era formada em aço, alumínio e polyester e foi muito estudada em túneis de vento. A sua suspensão era independente nas quatro rodas com triângulos superpostos combinados com amortecedores e molas helicoidais na frente e atrás. Tinha barras estabilizadoras nos dois eixos.

Tinha bancos individuais para duas pessoas e podia ser em couro Connolly de alta qualidade ou em lã virgem da famosa marca Ermenegildo Zegna que tinha a capacidade de absorver a umidade. Tinham estilo/desenho esportivo com apoios de cabeça. Era um carro para dois felizes ocupantes. Seu desenho era da casa Pininfarina, obra de Leonardo Fioravanti que trabalhou 24 anos na famosa empresa de carrocerias de Turim. Seus quatro faróis circulares eram retrateis.

Seu acabamento era impecável. O painel com bloco retangular estavam velocímetro graduado a 330 km/h, no centro temperatura da água e pressão do óleo. O Conta-giros graduado a 10.000 rpm com zona vermelha começando a 7.000 rpm. Acima da alavanca (na famosa grelha de alumínio) de marchas de H para 2ª,3ª,4ª e 5ª, e primeira abaixo perto do piloto/motorista. Ainda marcador de nível do tanque de gasolina e amperímetro, temperatura do óleo de relógio de horas. Abaixo um rádio toca fitas da marca Pionner. A instrumentação era da marca Veglia.

Em 1976 ganhava a designação 512 BB. Seu V12 arrefecido a água, passava a ter 4.942 cm³ com bloco e cabeçote em liga leve Silimin (alumínio e silício) com virabrequim de sete mancais. Tinha duas válvulas por cilindro no cabeçote e dois comandos de válvulas. Continuava com quatro carburadores triplos, taxa de compressão de 9,2:1 e 345 cavalos a 6.200 rpm. Era um belo motor e potente. Se perdia 20 cavalos na potência máxima, esta chegava 700 rpm mais cedo. Spoiler dianteiro, tomada de ar nos para-lamas traseiros, lanternas duplas, em vez de triplas, e quatro saídas de escapamento, em vez de seis, marcavam a mudança.

Seus freios a disco nas quatro rodas eram ventilados com duplo circuito de frenagem. Usava pneus da marca Michelin XWX 215/70 VR 15 na frente e 225/70 VR 15 atrás. Tinha rodas da marca Cromodora com cubo rápido Rudge de 7,5 polegadas na frente e 9 polegadas atrás. Em alguns países este tipo de roda não era permitido. Abaixo a esquerda nota-se o bocal do tanque de gasolina.

Sua velocidade final era de 302 km/h, 0 a 100 km/h em 5,5 segundos, fazia o 1/4 de milha em 13 segundos e 1.000 metros em 25 segundos. Seu peso era de 1.515 quilos e tinha dois tanques de gasolina totalizando 110 litros. Era capaz de enfrentar as auto-estradas em alta velocidade. Em 1981 o BB era o carro mais rápido do mundo só ficando atrás do Lamborghini Countach. Seu desenho foi baseado no Ferrari P6 Berlinetta Special apresentado no em Turim em 1968.

Em 1981 era apresentada a versão 512i com injeção eletrônica Bosch K-Jetronic para atender alguns mercados notadamente o americano. Pouca coisa mudava na carroceria e os faróis com protetor laranja de longo alcance continuava na linha. Foram produzidos 2.323 exemplares entre 1973 e 1981. Foi substituída pelo modelo Testarossa abaixo.


Nas pistas

Em 1974, a North American Racing Team (NART) de Luigi Chinetti desenvolveu uma versão de corrida do 365 GT4 BB para substituir o Daytonas da equipe para uso em corridas de carros. O carro da NART estreou nas 24 Horas de Daytona em 1975 antes de ganhar um sexto lugar nas 12 Horas de Sebring dois meses depois. A NART continuou a usar o carro em 1978, quando a Ferrari começou seu próprio desenvolvimento de uma versão  de corrida do 512 BB atualizado. O Departamento de Assistência ao Cliente da Ferrari modificou muito os quatro 512 em 1978, acrescentando arcos de roda mais largos, um aerofólio montado no teto e reutilizando as asas traseiras dos carros Ferrari 312T2 de Fórmula 1.

A potência do flat-12 foi aumentada para 440 cavalos, enquanto o peso dos carros foi reduzido para aproximadamente 1.200 quilos. Os quatro carros, denominados BB LM pela Ferrari, foram inscritos por Charles Pozzi, Ecurie Francorchamps e NART nas 24 Horas de Le Mans de 1978, mas nenhum completou a corrida.

Um segundo programa de desenvolvimento começou no final de 1978. Os carburadores do flat-12 foram substituídos por um sistema de injeção eletrônica de combustível para aumentar a potência para 470 cavalos.  A carroceria baseada na produção dos primeiros BB / LMs foi substituída por um novo design desenvolvido pela Pininfarina que era 16 polegadas (41 cm) Os faróis escamoteáveis foram substituídos por unidades fixas integradas no painel frontal, enquanto a cauda foi alongada ao máximo permitido pelos regulamentos.

Nove desses BB LMs revisados ​​foram construídos pela Ferrari em 1979, enquanto uma nova série aprimorada de dezesseis unidades foi construída de 1980 a 1982. Entre os melhores BB LM estava um quinto no geral e o primeiro na classe GT em 1981 24 Horas de Le Mans.


Em Escala

Três 512 BB na escala 1/43. Nas laterais dois Bburago e no fundo nº71 é um Matchbox


Texto, Fotos e montagem Francis Castaings. Carros de corridas fotos das Organizações Peter Auto publicadas no site.                                                       

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