Volkswagen SP-2: 50 anos em 2022.O Esportivo de Rudolf Leiding

Volkswagen SP-2: 50 anos em 2022.O Esportivo de Rudolf Leiding

O mais belo dos Volkswagen

O engenheiro alemão Rudolf Leiding que presidiu a Volkswagen Brasil foi ousado. Em julho de 1968, Leiding deixou de Ingolstadt (Alemanha),  onde ficava a sede da Auto Union para assumir a presidência da Volkswagen do Brasil. Lá ele foi responsável pelo lançamento do Audi 100 e depois do belo esportivo Audi 100 cupê. Baseado no Audi 100 a Volkswagen inovou sua linha com o sedã K70 (saiba mais) e baseado neste o Passat (saiba mais). Ele presidiu o grupo aqui entre 1969 e 1973 e após este período passou a ser o diretor executivo mundial do grupo. O Doutor Rudolf, como era chamado, tinha ótimas ideias e com punho forte deu aval e liberdade ao departamento de estilo de São Bernardo do Campo para criar novos modelos para o mercado brasileiro baseado nas plataformas dos modelo Variant e TL . Graças a Rudolf Leiding, durante sua gestão aqui, houve um aumento de 50% na produção brasileira de automóveis.         

Os designers brasileiros José Vicente Novita Martins (Jota) e Marcio Lima Piancastelli responsável pelo estilo da Brasília (conheça) , começaram a esboçar um novo modelo esportivo. Seria o segundo modelo esportivo da marca após o Karmann-Ghia e o primeiro projetado no Brasil. Nascia o projeto X. Vários desenhos na prancheta elaboraram as linhas iniciais e foram feitos modelos em escala em argila. Havia um modelo sem o teto central, como um Porsche 911 Targa e seu vidro traseiro lembrava o esportivo inglês Jensen Interceptor e o também esportivo nacional Brasinca Uirapuru. 

Os esportivos SP-1 e SP-2 foram fabricados exclusivamente no Brasil, mas foi cogitado para ser fabricado na Alemanha. Este esguio modelo foi lançado em junho de 1972 com mecânica e tração traseira. A sigla SP era em homenagem à cidade de São Paulo. Sua carroceria  tinha 4,21 metros de comprimento, 2,4 de entre-eixos, largura de 1,61 e altura 1,15 metros. Baixo como a maioria dos esportivos! Pesava 890 quilos. Tinha suspensão dianteira tipo McPherson com braços transversais, molas helicoidais, amortecedores telescópicos e barra estabilizadora. Atrás tinha semi-eixos oscilantes, barras de torção e amortecedores telescópicos. Seus freios dianteiros eram a disco e traseiros a tambor com duplo circuito hidráulico. Atrás era visível uma grade que protegia o motor e no lado esquerdo ficava o escapamento.

Em abril de 1972 o Karmann-Ghia 1600 deixava as linhas de montagem favorecendo as vendas do TC.

Este é um belo e raro exemplar do Volkswagen SP-1. Não fez o sucesso esperado, pois seu motor era muito aquém do esperado. Tinha o mesmo motor da Variant e do Tl.

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O motor traseiro com bloco e cabeçote em ferro fundido tinha quatro cilindros opostos, em posição horizontal, com 1.584 cm³ e 66 cavalos a 4.600 rpm com torque de 12 mkg.f e alimentado por um carburador de corpo simples da marca Solex. A produção do SP-1 foram de 88 carros fabricados entre 1972 a 1973. Sua demanda era muito baixa e são raros os modelos fotografados nesta matéria.

A carroceria em aço estampado era produzida pela Karmann, empresa responsável pelo modelo Ghia, fabricado aqui e na Alemanha. Lá já tinha parceria com a empresa desde os anos 50. Não tinha um grande leque de cores, mas atendia. Havia o branco, prata, azul claro e escuro, amarelo, vermelho, bordô e marrom. O SP-1 se distinguia do SP-2 na parte externa principalmente pelos frisos laterais pretos. A frente de ambos era baseada no modelo alemão Volkswagen 412E e foi aplicada aqui também na Variant e no TL que tinham o mesmo grupo óptico.

Seu desenho era muito bonito, original, moderno e com linhas muito aerodinâmicas. Era um carro para dois ocupantes com conforto e havia dois porta-malas.Visto de lado era notável suas maçanetas embutidas, belas entradas de ar atrás do pequeno vidro traseiro que basculava e frente com linhas descendentes. Tanto na frente quanto atrás sobre o motor acomodava pequenas bagagens e a abertura do capô e da porta traseira tinham ótimo acesso!

Por dentro era muito bonito também e bem equipado! Havia um console entre os bancos, estes em formato de concha, anatômicos,  que eram em courvin (couro como opcional) , alavanca de marchas com ótima pega, boa posição de dirigir, volante de três raios com diâmetro adequado e sua instrumentação era digna de um esportivo: velocímetro graduado até 200 km/h,com hodômetro parcial e total, conta-giros com marcação até 6.000 rpm sendo que a faixa vermelha começava aos 5.000 rpm, marcador de combustível (tanque com capacidade de 40 litros), relógio de horas, amperímetro e termômetro. No SP-1 não havia o útil amperímetro e o termômetro de óleo. Como itens de conforto havia ventilador com duas velocidades de série, tapete de buclê em nylon, luzes de leitura, rádio AM-FM, um pequeno porta-luvas e alça de apoio para o passageiro na coluna A. Um problema, mesmo com a ventilação era a temperatura dentro do carro em dias de calor. Seu maior concorrente era o Puma GT (Leia).

Era um carro caro! Seu preço estava acima do Puma com motor VW, o mesmo que um Chevrolet  Opala Caravan seis cilindros ou Opala SS-4, que um Maverick Super Luxo, pouco abaixo de um Dodge Dart SE, mas era mais em conta que um MP-Lafer que, como o Puma, era um carro de produção pequena. Da linha Volkswagen em 1975 era o mais caro!

O motor do SP-2, preparado na fábrica, tinha 1.678 cm³, virabrequim com quatro mancais e 75 cavalos a 5.000 rpm. Mantinha o cambio de quatro marchas, tração traseira e a relação do diferencial era mais longa. Em testes na época fez de 0 a 100 km/h em 17 segundos e sua velocidade máxima era de 153 km/h. Era alimentado por dois carburadores de corpo simples Solex 32 PHN e sua taxa de compressão era de 7,5:1. Tinha belas rodas em aço estampado, com calota central e usava pneus radiais 155 SR 15. Arrancava com fôlego, ótimo em primeira e segunda, mas ao passar a terceira caia muito de giro!

E em 1975 o Karmann-Ghia TC 1600 saia da linha de produção deixando o SP-2 como único no segmento de esportivos  com motor traseiro na Volkswagen.

Terminou sua carreira em 1976 após 10.205 unidades produzidas sendo que 670 foram exportados para a Europa. E alguns muito bem cuidados até hoje!  Um exemplar em belo estado está no Auto Museum Volkswagen em Wolfsburg, região da baixa Saxônia, Alemanha. Junto está uma Volkswagen 1600 quatro, a última Kombi fabricada aqui, o último Fusca e uma VW Brasília.


O SP3

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Infelizmente não passou de um protótipo, pois os custos de fabricação seriam elevados. Mas se chegasse às ruas seria um dos carros mais rápidos nacionais na época. Tinha a mesma carroceria, mas com frente diferente. Sua grade com frisos horizontais era preta, para-choques da mesma cor, não tinha as entradas de ar atrás, apenas aletas de refrigeração e ausência de cromados. Era um modelo mais agressivo. Rodas de aro 13 com sobre aro e pneus na mediada 155/70 SR 13. Por dentro bancos e instrumentos oriundos dos Porsche fornecidos pela empresa paulista Dacon que já fazia belos trabalhos nos Fuscas e Brasília.

Seria equipado com o motor do AP (alta performance) do Passat TS, arrefecido a água, 1,6 litros com 96 cavalos, taxa de compressão de 8,5:1 e dupla carburação preparada.  O novo motor ficava também na traseira. Já o radiador ficava na frente,  junto da ventoinha, e a ligação com o motor se fazia por um tubo central apoiado sobre o mesmo chassi plataforma VW. Se fosse fabricado seria uma bala de alto calibre!


Em Escala

A Hot Wheels fez três modelos na escala 1/64 sendo que duas em séries especiais.

Na coleção Carros Inesquecíveis do Brasil um modelo vermelho muito bem acabado na escala 1/43 na cor vermelha.E também na coleção Carros Brasileiros 2 vendidas em bancas de jornal um modelo prata na escala 1/43


O Livro SP2 – O clássico de destaque produzido no Brasil em livro.

O Volkswagen SP2 é atualmente um dos mais cobiçados clássicos brasileiros. Desperta paixões não apenas no Brasil, o único país do mundo em que foi fabricado, mas também no exterior onde faz parte de museus e coleções de colecionadores. Produzido por três anos e meio, entre junho de 1972 e dezembro de 1975, teve pouco mais de dez mil exemplares comercializados. Na época do seu lançamento foi considerado, por uma prestigiada revista alemã , o Volkswagen mais bonito do mundo. O motor com 1.700 cm³ não tinha um desempenho  esportivo. Mas é uma lenda nacional muito mais carismático no Brasil.

Apaixonado desde muito jovem pelo pequeno esportivo de dois lugares, o designer e projetista belga radicado no Brasil Juan Dierckx lançou recentemente o primeiro e único livro sobre a criação e a trajetória ímpar do Volkswagen SP2. Esta começa, na verdade, com o lançamento modelo anterior do SP1 de 1.600 cm³ com apenas 84 unidades fabricadas.

Em “VW SP-A História de Um Ícone”, Dierckx realiza um meticuloso trabalho de arqueologia automotiva. Das origens do motor boxer aircooled que equipava o SP2 ao sucesso atual do modelo entre colecionadores do mundo, o escritor revela histórias incríveis sobre os bastidores desta máquina – tudo documentado por rigorosa pesquisa e farto material fotográfico.

O autor conta que decidiu escrever o livro porque percebeu que havia pouca informação confiável sobre o automóvel. Uma tarefa que consumiu muito tempo e energia. “A maior dificuldade que encontrei foi recolher o testemunho de pessoas que viveram a época e, principalmente, que estavam envolvidos no desenvolvimento. Encontrar material escrito confiável também foi uma grande dificuldade. A documentação é escassa e muitas vezes pouco confiável”.

Entre as muitas informações que Dierckx reuniu com as suas pesquisas estão as de que aproximadamente 680 exemplares foram exportados pela Volkswagen e que existem hoje apenas 1.297 SP1 e SP2 sobreviventes, embora menos de 800 estejam em condições de uso. Quanto às controvérsias em relação ao nome do carro, Dierckx é categórico: “Apesar de várias teorias, a sigla ‘SP’ significa ‘São Paulo’, o estado onde o carro era produzido.” O autor não confirma a informação de que o cantor norte-americano Michael Jackson chegou a ter um SP2 em Neverland. “Não encontrei nada que prove a veracidade dessa informação. Por conta disso, não cito isso no meu livro”.

Mosca branca de olhos azuis, como se referem os comerciantes brasileiros de clássicos aos modelos muito raros, a cotação de um SP2 em excelente estado de conservação já ultrapassa facilmente o equivalente a 15 mil euros no Brasil, com sinais de aumentar. “O preço deste modelo vai continuar a crescer. A principal causa desse fenômeno é que colecionadores estrangeiros oferecem quantias muito elevadas, em outras moedas como o euro ou o dólar, o que inflaciona o mercado nacional”, diz Dierckx.

Mas, por que é que um carro tão icônico ficou tão pouco tempo em produção e seu sucessor, o SP3, jamais saiu de uma ideia. Dierckx tem uma explicação: “O projeto do SP3 era, a meu ver, fantástico. Ele não foi para a frente porque as diretrizes da Diretoria da VWB tinham mudado. Com projetos mais modernos como o Passat e a prioridade dada à lucratividade, a gama de produtos com motores refrigerados a ar estava com os dias contados. SP2, Karmann Ghia TC e TL foram os primeiros a saírem de linha”.

Juan Dierckx esperou 20 anos para realizar o sonho de ter um SP2 na sua garagem. Durante esse tempo, tentou por diversas vezes adquirir um exemplar. Mas o que ele desejava mesmo era o SP2 de um vizinho – que se recusava a vendê-lo. A persistência valeu a pena. Um dia, o vizinho finalmente decidiu se desfazer do veículo e Dierckx tornou-se então proprietário do esportivo com o qual sonhava desde sua juventude.

Resultado de dois anos e meio de trabalho e milhares de horas de pesquisa.

  • 144 páginas, 320 fotos e cerca de 18.000 palavras.
  • Encadernação de alto padrão.
  • Juan Dierckx < Para entregas fora de Botucatu, acrescentar o frete.
  • Contato: 014 98837 9683

Autor: Juan Dierckx – juandierckx@gmail.com

Links Youtube

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www.youtube.com/watch?v=RxqxWx623rs


Texto, fotos e montagem Francis Castaings

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