Cinquentenário da Fiat em Betim: E a família Tempra

Cinquentenário da Fiat em Betim: E a família Tempra

No princípio de 1988, na matriz da Fiat na Itália foi apresentado o sucessor do Fiat Regata. Chegava o Fiat Tipo cuja designação do projeto, Tipo Due ou “tipo dois”, um cinco-portas/três portas de linhas bonitas, pouco convencionais que tinha como atrativos um ótimo espaço interno como o Uno. Era produzido em uma nova fábrica muito moderna na cidade de Cassino, em Piedimonte San Germano, Lazio, na Itália.

Como a maioria dos hatch ou  dois volumes de sucesso, seria projetado e um sedã três-volumes para a sucessão do Regata, em linha desde 1983. O resultado do projeto Tipo 159 era lançado em fevereiro de 1990 e apresentado ao público no mês seguinte no Salão de Genebra, Suíça.

Era o belo Tempra, temperamento em italiano. Era um quatro-portas com linhas bonitas, pouco convencionais… Sua parte traseira, o terceiro volume, era curto e elevado.O desenho foi elaborado pelo estúdio italiano IDEA (Institute of Development in Automotive Engineering/Istituto per lo sviluppo nella progettazione di automobili).

Nesta empresa, mesma plataforma nasceria o Lancia Dedra em 1989 e o Alfa Romeo 155, acima, em 1992.

Sua largura era de 1,695 metros, entre eixos (2,54 m), igual ao Fiat Tipo, era mais longo com 4,35 metros, o Tipo 3,95. O coeficiente aerodinâmico (Cx) de 0,28 era muito bom, espaço interno idem e porta-malas com capacidade de 500 litros. Um grande atrativo!

A abertura das portas eram ótimas! Quase 90° e porte das mesmas facilitava o acesso e a acomodação sem contorcionismo . Como o Tipo, ele podia vir com um painel digital, composto por dois  instrumentos gráficos, além de ar-condicionado com controle automático de temperatura e teto solar com comando elétrico.


No Brasil

Cinquentenário da Fiat em Betim: E a família Tempra

O Fiat Tempra fabricado em Betim, Minas Gerais, chegava no final de 1991. Acima da concorrência tinha , linhas bem mais modernas que as dos concorrentes e conjunto mecânico idem. Competia também com o Versailles, da Ford, quase idêntico ao Volkswagen Santana. As duas versões de acabamento, Ouro, mais luxuosa e a básica, vinham com quatro portas amplas, com ótimo acesso. Era um carro muito confortável para cinco pessoas.

Seu motor de 2,0 litros, 1.995 cm³, de origem argentina, tinha potência de 99 cavalos, taxa de compressão de 8,7:1, duplo comando de válvulas no cabeçote, fluxo cruzado e catalisador. Esta potência em cavalos era fraca devido ao peso/porte do carro. Tinha tração dianteira, caixa com cinco marchas (também argentina), suspensão independente nas quatro rodas e freios a disco ventilados na frente, com duplo circuito em diagonal. Era um carro muito seguro e tinha ótima estabilidade como todos os carros Fiat fabricados aqui.

E a importação de carros no Brasil foi reaberta em 9 de maio de 1990. Desde 1976 estava proibida e todas as fábricas tinha que modernizar seus produtos, pois alguns datavam das décadas de 60,70,80…

Bem mais moderno que o Chevrolet Opala, em final de carreira, que o Chevrolet Monza, já datado de 1982 e que a linha Ford Del Rey. O Santana da Volkswagen também já estava envelhecido. Em 1992 também chegava o Chevrolet Omega da General Motors baseado no Opel Omega alemão. Tanto o italiano quanto o alemão, eram da mesma década. Também moderno, mas na Alemanha havia sido lançado no segundo semestre de 1986

Tempra 16V

Em 1993 para se adequar ao mercado brasileiro, suportar nossas ruas e estradas, os componentes do câmbio foram reforçados, suspensão idem, os discos de freio vinham nas quatro rodas (dianteiros ventilados), auxiliados por ABS sistema de freios antibloqueio em veículos (Anti-lock Braking System), que evita o travamento das rodas em frenagens bruscas.

No Grande Prêmio do Brasil de Fórmula 1 de 1993, em Interlagos, um Fiat Tempra 16V vinho atuou como o carro de segurança (safety car) oficial e protagonizou uma cena histórica ao dar carona a Ayrton Senna após a sua vitória épica sob chuva.

Foi o primeiro carro fabricado no Brasil a ter motor 16V válvulas (Quatro válvulas por cilindro ao invés de apenas duas). O segundo foi o Volkswagen na família Gol e Parati. Na Europa os “16V” já eram comuns e apelidados, com propriedade, de pequeno turbo. Em produção em série foi do Mercedes-Benz 190E em 1985, nos Volkswagen Golf Gti e Scirocco e na linha Renault 19 que antecedeu o modelo R21

O motor era 2.0 L com duplo comando de válvulas no cabeçote (DOHC), agora com uma injeção sequencial multiponto, com 127 cavalos a 4.750 rpm, sua velocidade máxima era de 205 km/h, e 0 a 100 em 9,8 segundos.

O Turbo

O Fiat Tempra Turbo, foi lançado 1994, linha 1995 e também foi o primeiro sedã nacional a sair de fábrica com motor turbocompressor. O mesmo motor 2.0 de 8 válvulas ganhava um  turbocompressor da marca Garrett e um intercooler, um trocador de calor usado em motores com turbo ou compressor, radiador de óleo, injeção multipoint, tinha 165 cavalos de potência, a arrancada de 0 a 100 km/h em 8,2 segundos e velocidade máxima de 220 km/h. Era o carro nacional mais rápido, foi lançado na versão duas portas, inexistente na Europa. Pouco depois veios a versão quatro portas, acabamento mais refinado, chamada de Stile com como ar-condicionado digital e freios ABS

Também, ajustes na suspensão, direção e sistema de acionamento do câmbio. Os freios eram a disco nas quatro rodas (ventilados à frente), com ABS opcional.

O interior do carro recebeu cuidados ainda desconhecidos no mercado nacional, tais como o ar condicionado com regulagem automática de temperatura, bocais de direcionamento do fluxo de ar refrigerado para o banco traseiro e luz sinalizadora de não utilização do cinto de segurança. O novo volante e os painéis das portas eram revestidos em couro. Novo painel de instrumentos e um computador de bordo mais moderno.

Por fora Externamente, além da identificação do carro, em dourado e vermelho, apenas um aerofólio sobre a tampa do porta-malas (com luz de freio integrada) e as rodas de liga (iguais às do Uno Turbo) o diferenciavam do modelo com duas portas básico.


Em outubro de 1994 a versão SW, perua, foi apresentada no Salão do Automóvel

Era moderna também, ótima área envidraçada, ótimo acesso interno, inclusive para porta malas, cuja capacidade era de 550 litros, rebaixando o banco aumentava para 1.550 litros. Um versão picape foi cogitada, há muito, a Fiat sempre apresentava uma linha completa, mas não chegou as ruas. A versão SW era importada

Seu painel era digital com boa leitura. Uma novidade nas peruas, mas já havia sido aplicado no Chevrolet Monza Classic. A esquerda era a quilometragem total e havia a opção para hodômetro parcial. No centro, na parte de cima, o velocímetro e a direita capacidade do tanque e termômetro

Na parte de baixo, luzes piloto para carga da bateria, muito útil, pressão do óleo, nível do fluído do freio, indicação de desgaste das pastilhas de freio e pisca alerta acionado no pequeno triângulo. O conta-giros a direita era muito útil e fornecia emoção também.

Com o motor 2.0 concorreu com a Quantum, com o Ford Royale e a Ômega Suprema com motor de quatro cilindros. Como o sedã e o cupê, os frios eram muito bons, a suspensão adequada e testada no piso brasileiro, seus pneus eram na medida 185/65 14 em rodas de liga com desenho simples e bonito.

Em 1994 o carburador não constava mais na linha Tempra por conta da adoção de injeção monoponto nos motores 8V e multiponto nos 16V.

Em 1995 a versão Stile, com turbo, iria substituir a versão com carroceria de duas portas. Em 1996 houve uma discreta reestilização na dianteira, faróis mais finos e painel com novo grafismo. E a mudança na nomenclatura das versões para SX, HLX e Stile.

Em 1998 houve algumas alterações na grade dianteira e itens de conforto. A produção foi encerrada no mesmo ano para dar lugar ao Fiat Marea que também tinha um projeto moderno.

E também com muito estilo!


“O que é escrito sem esforço é lido sem prazer”


Texto, fotos e montagem Francis Castaings. Representante/embaixador no Brasil do Club Vincennes en Anciennes

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